(Ponto de Vista de Ethan)
Enquanto a observei deitada, lembrei que o efeito do sedativo ministrado pelo Dr. Bennett a manteria dormindo até o nascer do sol, o que me daria a oportunidade de corrigir, ao menos em parte, o erro que eu havia cometido de maneira tão irresponsável.
No entanto, ao ouvir um breve gemido romper o silêncio, inclinei-me rápido sobre ela e encontrei sua testa quente demais contra minha mão. Estava com febre.
— Maxwell… — Chamei suavemente meu beta, que aguardava no corredor. — Traga o redutor de febre de Fruta da Lua do meu armário.
Umedeci um pano na água fria e, durante a espera, encostei-o cuidadosamente em sua testa, reparando em como o cabelo castanho se espalhava pelo travesseiro e me fazia lembrar da beleza que sempre tivera.
Logo depois, Maxwell apareceu de volta, trazendo consigo o remédio e um frasquinho.
— Também trouxe o Bálsamo Raro de Cura do Dr. Bennett, Alfa.
Agradeci com um gesto breve e o liberei, deixando-me envolver pelo cheiro herbal característico do bálsamo, feito unicamente para a família Stone, enquanto o passava com cuidado nos machucados das mãos de Olivia, que até então haviam me passado despercebidos.
— Ethan Stone... — Murmurou ela, quase inaudível.
Meu coração disparou.
— Liv, estou aqui... — Sussurrei, usando o apelido que não pronunciava havia anos.
Sua resposta, porém, cortou-me como uma lâmina de prata.
— Vá embora!
Ela me rejeitava mesmo no torpor da febre, e eu não podia esperar nada menos que isso.
Administrei o remédio e segui refrescando sua testa até ver a temperatura estabilizar, só então retomando o que precisava fazer, determinado a concluir antes que seus olhos se abrissem.
A noite correu silenciosa enquanto minhas mãos, feitas para a guerra, revelavam-se ternas ao juntar os pedaços frágeis, cada qual carregando a lembrança do amor de minha filha, amor que até aquele momento eu nunca havia valorizado.
Pouco antes do romper da madrugada, ajustei a peça final, e mesmo que a caneca não pudesse voltar a ser perfeita, marcada por sulcos finos que lembravam cicatrizes, ela ressurgia completa, permitindo que a inscrição infantil voltasse a ser lida: "Eu Amo o Papai!"
A sensação de triunfo trouxe-me uma alegria inesperada, e, tomado pela emoção que me fechava a garganta, deslizei o dedo sobre aquelas letras trêmulas.
— Lily, me desculpe… — Sussurrei no vazio do quarto. — Lamento nunca ter estado com você, e juro que, daqui em diante, vou dedicar mais tempo a nós.
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(Ponto de Vista de Olivia)
Lentamente, a consciência retornou, trazendo-me de volta do sono mais profundo que experimentara em meses. Meu corpo ainda carregava um peso, mas estava revigorado de uma forma que eu quase esquecera, e bastou olhar o relógio no criado-mudo para perceber que haviam se passado dez horas desde que eu adormecera.

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