Minhas mãos tremeram quando peguei a caneca dele.
— Eu devia ter estado lá para Lily. — Ele continuou. — Agora que tenho plena consciência disso, não vai acontecer de novo.
Em vez de me consolar, suas palavras só tornaram minha dor mais intensa. Nem mesmo a autoridade de sua voz, tão característica de um Alfa ao jurar solenemente, foi capaz de significar algo para mim, já que era tarde demais para acreditar em promessas.
— “Não vai acontecer de novo?” — Repeti, emitindo uma voz perigosamente baixa. — Ela está morta, Ethan. Nossa filha está morta.
Algo se partiu dentro de mim e, num movimento repentino, arremessei a caneca contra a parede, de modo que o som da cerâmica se estilhaçando ecoou pelo ambiente, tão quebrado quanto meu coração, que se despedaçava mais uma vez.
— Ethan Stone, você é uma vergonha! — Declarei com firmeza, mesmo sentindo as lágrimas prestes a escapar.
E então saí, deixando-o paralisado entre os cacos do último presente de Lily.
-
(Ponto de vista da Matriarca Evelyn)
Envolvida pelo perfume das flores-da-lua que se espalhava pelo ar da manhã, cheguei ao Cemitério Luar Sagrado com a sensação de ter renascido após três meses de retiro no antigo templo, fortalecida pelos rituais sagrados e pela meditação.
— Chegamos, Matriarca. — Anunciou Bernard Sheppard, abrindo minha porta com a mesma eficiência digna que marcou suas décadas de serviço à nossa família.
— Obrigada, Bernard. — Respondi, aceitando seu braço ao descer do veículo. — Não vou demorar. É só uma breve visita para prestar minhas homenagens à minha velha amiga Matilda.
O cemitério, sereno sob a luz matinal, me recebeu enquanto eu avançava até o túmulo de Matilda, com os ossos reclamando a cada passo. Após depositar flores frescas e proferir uma curta oração, resolvi dar a meia-volta para ir embora…
Foi então que o vi um túmulo novo, reluzindo sob a luz suave, e algo nele me atraiu irresistivelmente.
A lápide de Lily, incrustada de pequenas pedras de lua que pareciam absorver e refletir a luz, estava belamente trabalhada, mas foi a fotografia que prendeu minha atenção: uma menina de quatro ou cinco anos, com olhos verdes tão familiares que fizeram meu coração doer.
— “Lily Winters”... — Li em voz alta, com meus dedos traçando o nome gravado. — “Aqui repousa nossa filha amada, eterna em nossos corações.”
As datas gravadas na lápide revelavam uma existência de apenas cinco anos, curta demais para uma criança. Assim, inclinei a cabeça em oração, pedindo paz para sua alma, e comecei a caminhar para fora, mas o nome parecia se repetir dentro de mim, cutucando lembranças que eu nem sabia guardar.
“Lily Winters... Por que soava tão familiar?”
Naquele instante, uma memória tomou forma: Olivia, ao lado do meu neto, surgindo na tela de uma videochamada, embalada pela emoção de segurar o filho recém-nascido, com o rosto iluminado pelo júbilo da maternidade.
— Nós decidimos chamar ela de Lily. — Olivia dissera, cheia de orgulho. — Lily Winters Stone.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada