(Ponto de vista da Matriarca Evelyn)
O sol nascente banhava o Cemitério Luar Sagrado, criando sombras que se arrastavam pelo chão. Ajoelhada diante da lápide de Lily, deslizei os dedos sobre o nome gravado, e o toque gelado da pedra intensificou o calor das lágrimas que escorriam.
— Minha bisneta… — Sussurrei, enquanto as lembranças voltavam com a força de uma represa rompida.
O silêncio de Bernard, postado atrás de mim, era denso, carregado de luto compartilhado. Ao fechar os olhos, a lembrança da conversa que escutara entre Ethan e Olivia, pouco antes de partir para meu retiro espiritual, veio à tona:
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— Como está a Lily? — Ethan havia perguntado de forma casual, como se falasse sobre o tempo. — Estava pensando em jantarmos juntos no fim de semana.
O rosto de Olivia permanecera cuidadosamente neutro.
— Ela está bem, só ocupada com os projetos da escola.
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Senti a lembrança se torcer em meu peito, dolorosa como o fio de uma lâmina. Fazia meses que Lily partira, porém Ethan falara como se ela estivesse viva, e Olivia reforçara aquela ilusão.
— Ela me protegeu da verdade… — Murmurei, sentindo minha voz se partir no meio da frase. — Porque, devido aos meus problemas de memória, ela não queria me causar dor ao me lembrar repetidamente de que Lily se foi…
Ao meu lado, Bernard se mexeu, visivelmente desconfortável.
— Matriarca, talvez devêssemos voltar para a propriedade... Um abalo assim pode afetar seu estado de saúde.
Ignorei a preocupação dele, pois outra lembrança surgiu: o olhar assombrado de Olivia sempre que Lily era mencionada e o jeito cuidadoso com que desviava as conversas. “Ela estava carregando esse fardo sozinha…”
— Mas sobre o Ethan… — Murmurei, levantando-me com esforço. — Ele realmente não sabia que a própria filha estava morta? Como pôde mencioná-la de forma tão casual?
As implicações eram terríveis demais para serem consideradas. “Meu neto teria realmente sido tão negligente a ponto de não perceber a morte da própria filha?”
— Bernard, que tipo de pai não sabe que a filha morreu? — Perguntei, sentindo a raiva substituir o luto. — Que espécie de Alfa vira as costas e deixa sua companheira sofrer sozinha?
Ele não disse nada, apenas manteve o olhar preso ao chão. A lealdade que carregava à família Stone o impedia de se opor ao Alfa, mas aquele silêncio, por si só, bastou como resposta.
— Leve-me até ele! — Ordenei, recuperando a autoridade na voz. — Quero confrontá-lo aqui, diante do túmulo de Lily, onde ele não poderá fugir da verdade!
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À medida que caminhávamos rumo aos portões do cemitério, fui tomada por uma vertigem súbita. O chão pareceu inclinar-se e as cores se embaralharam diante dos meus olhos.
— Matriarca! — A voz alarmada de Bernard soou distante.
Naquele instante, minhas pernas falharam e o corpo sucumbiu ao impacto da emoção. Ainda assim, braços fortes me sustentaram antes que eu caísse.
— Chamem o Abrigo Médico imediatamente! — Bernard ordenou a alguém que eu não vi.

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