(Ponto de vista de Ethan)
Só quando o Dr. Bennett garantiu que a situação da minha avó não era crítica é que percebi o quanto havia ficado aterrorizado com seu colapso. O alívio me atingiu como uma onda. Ao virar levemente a cabeça, reparei que Olivia também se permitiu relaxar, com os ombros afundando conforme a tensão desaparecia de seu corpo.
A súbita liberação de pressão fez com que ela se desequilibrasse levemente e, sem pensar, estendi a mão para ampará-la, deixando-a pairar perto de seu cotovelo.
Contudo, ela se afastou como se tivesse sido queimada, com os olhos esmeralda faiscando em rejeição.
— Não me toque.
Sem me dar tempo de falar, ela correu até a maca onde os médicos levavam minha avó para fora da emergência, e sua figura, envolta nos lençóis brancos, que antes exalava imponência, parecia agora encolhida pela fragilidade da doença.
Com passos rápidos, mas atentos, Olivia se aproximou e tomou a mão da Matriarca entre as suas, sussurrando palavras que não alcancei. A cena, carregada de ternura, apertou meu peito com uma emoção que me escapava da compreensão.
Ao lado, o Dr. Fletcher se aproximou de mim com semblante profissional e informou:
— A transferência dela para a ala privativa já está encaminhada. Prepare-se, porque a reabilitação pode exigir tempo e paciência.
Assenti, observando enquanto eles a levavam, com Olivia caminhando ao lado e sem soltar a mão da idosa em momento algum.
Pela primeira vez em anos, senti-me completamente impotente.
-
Minha avó permaneceu inconsciente por um dia e uma noite, e eu dividi meu tempo entre sua cabeceira e a gestão dos assuntos urgentes da matilha, incapaz de me concentrar inteiramente em qualquer um deles.
O Dr. Bennett, por sua vez, com a expressão impassível, auscultava o coração dela e avaliava os reflexos, enquanto conduzia os exames de rotina com mãos hábeis, atento a cada sinal vital.
— Qual é a sua avaliação? — Perguntei, incapaz de suportar o silêncio por mais tempo.
Ele endireitou-se, guardando o estetoscópio no bolso, e respondeu:
— A condição dela está estável, mas não posso prever quando vai despertar.
— Mas ela vai se recuperar? — A pergunta veio de Olivia, que permanecia sentada do outro lado da cama e não se afastara da avó a não ser para o essencial.
— O choque que sofreu foi significativo. — Explicou o Dr. Bennett. — Por isso, o corpo dela precisa de tempo para se recuperar naturalmente.
Cerrei o maxilar, sentindo a frustração crescer, e insisti:
— Deve haver algo mais que possamos fazer…

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