(POV de Olivia)
Senti meu estômago balançar violentamente enquanto Ethan me carregava para o meu quarto. De repente, o vinho lunar que eu tinha bebido voltou à garganta, sem me dar tempo de reagir.
— Ethan, eu vou... — Eu não consegui terminar minha frase antes que o conteúdo do meu estômago entrasse em erupção.
O vômito respingou em sua camisa de grife e escorreu pelas calças. Ethan parou de se mexer, seus olhos cor de âmbar se arregalaram de choque, antes de se estreitarem de nojo.
Ele me colocou na beira da cama imediatamente, recuando como se eu fosse contagiosa. A repulsa em seu rosto foi inconfundível.
— Sinto muito. — Murmurei, mortificada e ainda bastante tonta.
Sem uma palavra, Ethan caminhou até o meu banheiro. Ouvi o som de água corrente enquanto ele tentava se limpar.
Quando ele saiu, sua camisa estava molhada onde ele tinha tentado remover a sujeira. Sua mandíbula estava apertada e a ternura anterior tinha evaporado completamente.
— Eu preciso sair daqui. — Ele disse friamente, sem que nossos olhares se encontrassem.
A porta bateu atrás dele, ele tinha me deixado sozinha no silêncio do apartamento. Eu me encolhi na minha cama, meu corpo ainda doía do ataque e agora também pelo excesso de vinho.
Caí em um sono agitado, assombrado por memórias de mãos me agarrando em becos escuros e olhos cor de âmbar cheios de nojo.
O mês seguinte passou como um borrão de determinação focada. Eu dediquei cada grama de energia no meu design de cristal para a Competição de Cristais do Cura.
Meus dedos doíam, enquanto eu desenhava até tarde da noite. Os lápis especiais de madeira da lua se moviam pelas páginas do caderno de desenho com infusão de pedra da lua. Cada linha era desenhada com um propósito, cada configuração calculada para o máximo potencial de cura.
— Isso tem que funcionar. — Sussurrei para o retrato de Lily, enquanto trabalhava. — Isso é para você, querida.
O prêmio em dinheiro garantiria o enterro no lugar sagrado que eu tinha encontrado para as cinzas de Lily. Localizado em uma clareira pacífica na borda do território da matilha, dizia-se que o solo ajudava os espíritos dos lobos que partiam a encontrar paz na vida após a morte.
Eu mal comia ou dormia, impulsionada pela necessidade desesperada de dar à minha filha um lugar de descanso adequado. Meu design incorporava usos inovadores de cristais de cura que poderiam revolucionar a medicina da matilha.
James me visitava ocasionalmente, trazendo comida e me forçando a fazer pausas.
— Liv, você precisa descansar. — Ele insistiu uma noite, com os olhos castanhos preocupados, enquanto observava minha aparência exausta.
Eu balancei a cabeça teimosamente.
— Eu não posso. Esta é a minha única chance de conseguir o dinheiro para o enterro de Lily.
James suspirou, mas não discutiu mais. Ele entendia o que aquilo significava para mim.
Na noite anterior à competição, sentei-me ao lado da Urna Cerimonial de Madeira da Lua contendo as cinzas de Lily.
— Será amanhã, querida. — Prometi, meus dedos traçavam as intrincadas linhas esculpidas em baixo relevo da urna. — Amanhã eu vou ganhar isso para você.
No dia da cerimônia de premiação, cheguei à Torre Lunar com meu projeto concluído. As configurações de cristal que eu tinha criado eram diferentes de tudo visto antes em técnicas de cura de matilha.
Nos bastidores, encontrei a Anciã Willow, e seus olhos sábios se enrugaram nos cantos enquanto ela sorria para mim.
— Olivia, minha querida. — Ela cumprimentou, segurando minhas mãos nas dela. — Seu design impressionou a todos nós.
Meu coração pulou de esperança.
— Sério?
A Anciã Willow se inclinou para mais perto, e sua voz se tornou um sussurro.
— Os juízes ficaram surpresos com a inovação. Eu não deveria dizer mais nada, mas... — Ela apertou minhas mãos significativamente, seus olhos brilhavam com excitação mal contida.
A implicação era clara, eu tinha vencido.
Uma sensação de alívio percorreu meu corpo, ela foi tão poderosa que tive que me desculpar. Corri para a sala de refrescos, enquanto lágrimas de alegria escorriam pelo meu rosto.
— Lily. — Eu sussurrei, encostada na parede. — Nós conseguimos, querida. Você terá seu lugar de descanso.
Eu me permiti imaginar o lugar, a clareira pacífica, o solo sagrado, o pequeno marco memorial que eu colocaria lá. O espírito de Lily finalmente teria um lar adequado.
Depois de me recompor, enxuguei os olhos e saí da sala de refrescos, planejando comer rapidinho antes da cerimônia.
Enquanto caminhava pelo corredor, um cheiro familiar chamou minha atenção, era pinho e ar invernal. O cheiro peculiar de Ethan. Fiz uma pausa, espiando ao virar a esquina. E lá estava ele com Victoria Frost, seus corpos próximos, cabeças unidas em uma conversa íntima.
Meu estômago apertou, mas não foi a proximidade deles que mais me incomodou. Eles argumentavam com dois dos jurados da competição, e as expressões de todos eram sérias.
A mão de Victoria descansou no braço de uma jurada, então lançou seu sorriso doce e persuasivo. Ethan ficou de pé ao lado dela, sua presença de Alfa era impossível de ignorar.
— Por que você deu minha vitória legítima a Victoria? — Eu exigi saber, mas minha voz tremeu por causa da emoção.
Ethan recostou-se na cadeira, sua expressão estava fria e desdenhosa.
— Eu não sei do que você está falando.
— Não minta para mim! — Eu bati minhas mãos em sua mesa. — A Anciã Willow tinha me dito que meu projeto era o melhor, e que todo mundo sabia disso. Mas, de alguma forma Victoria venceu? Depois que eu vi você falando com os jurados?
A mandíbula de Ethan se apertou.
— É disso que se trata? De você competindo com Victoria?
Suas palavras alimentaram ainda mais minha raiva.
— Não! Isso não é sobre Victoria!
— Então do que se trata? — Ele perguntou, com tom entediado, como se minha angústia fosse apenas um inconveniente.
— É sobre Lily! — Eu chorei, e lágrimas pesadas escorreram por meu rosto. — Eu usaria o prêmio em dinheiro para o enterro de Lily!
Algo cintilou nos olhos de Ethan com a menção de nossa filha. Surpresa, talvez, ou confusão.
— Enterro? — Ele repetiu.
— Um lugar para as cinzas dela. — Expliquei, com minha voz baixando para um sussurro de dor. — A urna cerimonial não é suficiente. Ela precisa de um lugar de descanso adequado. Um solo sagrado onde seu espírito possa encontrar paz.
A expressão de Ethan endureceu mais uma vez.
— Você está sendo dramática. Não há necessidade de tal despesa.
Eu olhei para ele, incrédula.
— Dramático? É da sua filha que estamos falando!
— Se você precisa de dinheiro, era só ter me pedido. — Ele disse com frieza.
— Eu não quero sua caridade! — Eu cuspi. —Eu queria ganhar isso para ela. Aquele prêmio em dinheiro era a única chance de Lily ter um enterro adequado. — Eu sussurrei, enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto.

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