POV DARIUS.
Sai de dentro de Alice. Ela suspirou levemente, ajustando-se ao colchão enquanto o sono a tomava completamente. Por um momento, a paz que sua expressão transmitia contrastava com o caos que habitava dentro de mim.
Fiquei observando-a, sem saber ao certo o que me prendia ali. Sempre fui claro com as fêmeas: nada de intimidade, nada de laços. Sexo era apenas um alívio para as minhas necessidades, nada mais. Eu nunca beijava, nunca trocava carícias. E, quando tudo terminava, mandava-as embora. Elas nunca ficavam. Mas agora… aqui estava eu, casado, e ao lado de Alice, incapaz de me afastar.
Quando decidi me deitar, senti a exaustão pesar sobre meus ombros. O colchão cedeu sob o meu peso, e minha mente, por mais que lutasse, focava-se nela. Há muito tempo não dividia a cama uma fêmea após o ato.
A última vez foi com minha primeira companheira, antes de matá-la enquanto estava transformado em besta infernal. Nunca vou me perdoar ou perdoar Necro pela morte dela. Enquanto revivia o passado doloroso, Alice, então, se virou inconscientemente e se aninhou contra mim. Seus braços me envolveram, e seu rosto encontrou repouso em meu peito. Congelei.
A sensação era estranha e, ao mesmo tempo, reconfortante. Meu peito subia e descia em um ritmo desigual, o calor do corpo dela parecia queimar contra a minha pele. Fechei os olhos, tentando entender o que estava acontecendo comigo, mas, antes que pudesse organizar meus pensamentos, Baltazar fez-se ouvir.
— Você está se afeiçoando a ela, Darius. Você sabe disso. — Falou contente. Suspirei mentalmente. Já devia ter esperado sua intervenção.
— Não sei o que, você quer dizer com isso. — Comentei, mantendo minha voz neutra sem demonstrar interesse.
— Não se faça de desentendido. Ela é nossa companheira. É por isso que você está à vontade com ela. Por isso, você não agiu como sempre faz. E você resistiu à tentação de marcá-la, e foi uma escolha sábia. — Disse Baltazar.
Baltazar estava certo. Eu poderia ter marcado Alice, mas não o fiz. Eu sabia que ela não estava pronta, e isso me deteve. Entretanto, antes que pudesse falar mais, outra voz invadiu meus pensamentos, carregada de sarcasmo e trevas. Mais um para me atormentar. Pensei, suspirando irritado.
— Ele está certo, mas não completamente. Pois, Alice é minha. E quero e preciso marcá-la. Ela é minha, e eu sou dela. — Comentou a besta infernal. Necro sempre encontrava uma forma de trazer o caos e me infernizar.
— Você nunca vai chegar perto dela dessa maneira, Necro. — Baltazar rosnou, sua raiva evidente. Necro gargalhou, um som profundo e perturbador. Ele gostava de provocar Baltazar.
— Você não sabe de nada. Alice é minha desde o início. Está escrito. Vocês vão descobrir, cedo ou tarde, a verdade. — Comentou enigmático. Senti o sangue ferver em minhas veias, essa besta gostava de infernizar.
— Escrito onde? O que você está falando? — perguntei, irritado com seus enigmas. Necro fez uma pausa, como se deliberasse.
— Não cabe a mim contar. Procure a deusa Lua. Ela pode dar as respostas que vocês procuram. — Falou. Baltazar bufou, impaciente.
— Como faríamos isso? Essa é uma ideia ridícula. Como espera que entremos em contato com a deusa Lua? Quer que rezemos e esperemos que ela responda nossa prece? — Perguntou Baltazar. Necro riu novamente, claramente se divertindo com nossa confusão.
— Não é tão ridícula quanto parece. Sua família já entrou em contato com deusa uma vez e ela respondeu. Se tem alguém que pode receber a graça de falar com ela, é o Darius. A família real conhece as maneiras de invocá-la, você sabe disso, Darius. — Comentou Necro. Meu coração apertou ao pensar do passado. Aquele maldito passado me colocou nessa situação.
— Aquele que sabia como fazer isso está morto. Não há como repetir. — Falei.
— Talvez, mas se ninguém da sua família souber. Então pergunte para aquela gata branca, Lulu. — Necro falou com um tom provocador. Franzi o cenho, surpreso em ouvi-lo mencionar a gatinha da Alice.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.