POV ALICE.
Darius começou a narrar e eu podia sentir em sua voz a dor que aquela história lhe causava. Eu sabia que não gostaria do que ouviria. Darius continuou, eu não queria interrompê-lo, então fiquei quieta, somente escutando.
— Minha avó recorreu à feitiçaria para poupar seus filhos. Mas quando usou magia para salvar seus filhos, tudo que conseguiu foi passar a maldição para a próxima geração, condenando, assim, seus netos. Tanto minha avó quanto meu avô não pensaram em quem recairia aquele fardo, somente queriam se livrar daquilo. Sou neto de Julian. Meu pai foi poupado, mas herdei o castigo imposto a Julian. Nasci amaldiçoado, condenado a carregar uma punição que não era minha. Quando me transformo em besta infernal, não reconheço nada nem ninguém; tudo que desejo é sangue e morte. — A raiva em sua voz era quase palpável, e eu sentia meu coração se apertar com cada palavra. Enquanto ficava assustada com o que eu ouvia.
Eu estava odiando o tal Julian. O simples pensamento de um ser tão covarde e cruel, que condenou gerações de sua própria família a um destino tão terrível, fazia minha raiva borbulhar. E, ao mesmo tempo, meu coração se apertava pelo sofrimento de Darius. Mas não falei nada, aguardei que ele continuasse a narrar. Darius suspirou fundo, como se contar sobre sua maldição, fosse difícil para ele.
— Acho que, de tanto minha mãe implorar para a deusa Lua, ela a ouviu, porque foi profetizado pela deusa em sonho a um dos antigos anciões da nossa alcateia que a maldição só seria quebrada por uma companheira de alma. Mas essa solução não funcionou para mim, pois encontrei minha primeira companheira e continuei amaldiçoado, condenando-a a um fim terrível. — Darius continuou, e suas palavras carregavam uma tristeza tão profunda que doía ouvi-las.
Fiquei apreensiva com o que ele falou sobre a primeira companheira. Não conseguindo controlar minha boca, ousei perguntar. E logo me arrependi de ter perguntado.
— O que aconteceu com sua primeira companheira? — Minha voz saiu quase como um sussurro. Darius permaneceu em silêncio por um momento que pareceu uma eternidade. Finalmente, respondeu com uma voz sombria e carregada de dor:
— Eu a matei, enquanto estava transformado em besta infernal. E ela estava grávida, estava gerando meu herdeiro. A besta que mora em mim a despedaçou. — Disse com amargura.
Um frio percorreu minha espinha, congelando-me no lugar. Coloquei as mãos sobre a boca, horrorizada. E meu instinto de sobrevivência me mandava correr e não olhar para trás, meu corpo estava travado e eu não conseguia me mexer.
Mas, por mais estranho que parecesse, de repente meu coração começou a me mandar ficar e o consolar. Então, comecei a pensar em como ele deve ter sofrido… A dor que ele carregava era devastadora. Sem pensar e ignorando meu corpo e instinto que me mandava fugir, me aproximei e o abracei, desejando confortá-lo de alguma forma, mesmo que minhas palavras ou gestos fossem insuficientes.
— Não consigo imaginar como você tem suportado tudo isso. Sinto muito, de verdade. — Eu precisava dizer algo, qualquer coisa, mesmo que minha voz estivesse embargada pela emoção.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.