POV DARIUS.
Olhei sério para ela. Não queria que Alice se colocasse em perigo, mesmo sabendo que, no momento em que ela entrou em minha vida como minha companheira, já estava em risco.
— Então me prometa uma coisa. — Segurei seu queixo, obrigando-a a olhar diretamente nos meus olhos. — Prometa que, se as coisas saírem do controle, você fugirá. Não olhe para trás, não tente me salvar. Apenas corra — pedi. Ela hesitou, mas finalmente assentiu.
— Prometo não me colocar em perigo. Mas não posso ficar parada assistindo, se eu puder ajudar. — Falou com coragem.
Suspirei, contrariado com sua resposta. Mas, no fundo, eu sabia que Alice não era o tipo de pessoa que ficava parada sem ajudar. Estou conhecendo uma Alice que não foge de um problema nem de uma ameaça, e, no fundo, isso me fazia admirá-la. Ela será uma ótima Luna e sei que não abandonará a alcateia, pois não fugiu nem quando encontrou um lobo negro gigante, perigoso e ferido na margem do rio.
Era estranho ter confiado a ela um segredo que escondi de todos, inclusive de meu lobo. Baltazar somente ficou sabendo recentemente. Alice me fazia sentir que eu podia confiar nela. Quando percebi, já havia contado tudo.
Acho que o vínculo de companheirismo está mais forte do que eu imaginava. Era isso ou eu estava enlouquecendo, ou ficando sensível demais. Nunca tive tanta certeza de que poderia confiar minha vida a essa humana fraca.
Quem é você, Alice? Por que me sinto assim tão à vontade e bem ao seu lado? Sinto que não é somente o vínculo. Tem algo mais aí. Preciso de alguém para responder às minhas perguntas. Mas quem?
Alice entrou no banheiro e eu fui até a janela, observando minha alcateia. Todos dependiam de mim para protegê-los. Agora que Alice já sabe da maldição, fico mais aliviado em ter a oportunidade de descobrir juntos como colocar fim a esse sofrimento. Fiquei observando o jardim, até que Baltazar se manifestou.
— Já pensou no que faremos quando Necro não existir mais? — perguntou Baltazar. Até aquele momento, não havia pensado nisso. Por um instante, me incomodei com a ideia de perdê-lo.
— Ainda não pensei nessa possibilidade — comentei.
— Pois devemos começar a pensar. Querendo ou não, Necro nos ajudou bastante. Ele nos ajudou a construir uma fama e sermos mais fortes. Todos têm medo do Rei Alfa Supremo amaldiçoado. Será que, quando deixarmos de ser amaldiçoados, deixarão de nos temer? Por causa de Necro, não podemos morrer, e isso nos torna invencíveis. Isso assusta nossos inimigos. — Comentou Baltazar.
— Ainda não pensei nisso, mas vamos sobreviver sem Necro. — Falei, embora não soubesse como seria viver sem ele. Nasci assim. Não conheço outra forma de viver.
— Você não conseguirá viver sem mim, Darius, e logo descobrirá o porquê. — Falou Necro. Eu o ignorei, pois não queria conversar com ele e estragar minha tarde. Necro gargalhou quando percebeu.
— O que esse idiota está rindo? — perguntou Baltazar, ouvindo Necro.
— Vai saber. Ignore-o. Se não dermos atenção, ele para e some — comentei. Alice abriu a porta do banheiro e me virei para vê-la saindo enrolada na toalha.
— Minha companheira é linda — disse Necro. Baltazar rosnou, e Alice se assustou.
— Por que está rosnando para mim? — perguntou, nervosa.
— Me desculpe. Foi Baltazar que rosnou — comentei. Alice me olhou, parecendo interessada.
— Por que o lobinho está rosnando para mim? O que eu fiz? — perguntou, tentando entender.
— Não é nada com você. Baltazar está rosnando porque não gostou de um comentário que Necro fez — falei.
— Então, ninguém vivo viu sua besta infernal? Nem seus pais? — perguntou, curiosa.
— Meu pai se culpa pelo meu destino, então, quando chega o dia da transformação, ele se isola e não quer presenciar meu sofrimento. Já minha mãe sempre está à porta do cofre, aguardando a transformação passar. Ela está lá para cuidar de mim. Bem, tentar, pois não sou muito fã de cuidados. Acho que por influência de Necro — expliquei.
— Então quer dizer que Necro marca um dia no mês e aparece? — perguntou, um pouco divertida. Cruzei meus braços e a observei sério. Sem demonstrar, achava engraçado sua maneira de falar.
— Não exatamente. Ele sempre aparece na lua cheia — comentei.
— O que acontece quando tem lua cheia duas vezes no mês? — perguntou.
— A cada dois ou três anos acontece isso. Chamamos de lua azul. É quando a lua cheia ocorre no início e no final do mês. Nesse caso, Necro aparece duas vezes e muito mais forte que o normal. Então, preciso reforçar o cofre e enviar todos os habitantes da alcateia para um abrigo. Também envio um alerta ao reino para que se protejam, caso eu consiga escapar da cela de contenção — expliquei.
— Sinto muito, Darius — falou, triste. — Estive pensando… a próxima lua cheia será daqui a três dias. Talvez eu pudesse dar uma olhada na sua transformação e tirar uma foto de Necro. Assim, saberemos como ele é — sugeriu. Um frio percorreu minha espinha quando a ouvi falar.
— Você só pode estar louca, te proíbo de chegar perto de mim transformado — falei, bravo, e Alice se encolheu.
— Eu só queria ajudar. Já que Necro parece gostar de mim, talvez ele não me ataque — falou, nervosa.
— Nem pense nisso. Necro não é confiável, Alice. Não quero você perto dele — falei, aproximando-me e segurando seus ombros.

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