POV ALICE.
— Alice… — Falou mais uma vez, sua voz soou mais baixa, mas carregada de algo quase perigoso. — O que você ainda não me contou? — perguntou firme. Levantei-me, sentando-me encostada na cabeceira da cama. Darius fez o mesmo.
Mordi o lábio, desviando os olhos para o teto, tentando reunir as palavras certas. Eu já tinha me acostumado com a forma incisiva com que Darius falava, mas, naquele momento, sua intensidade me atingiu de uma maneira diferente.
— Eu… — comecei, hesitante. Suspirei e virei o rosto para encará-lo.
— Lulu disse que me conhecia antes de eu perder a memória. Seus olhos se estreitaram ligeiramente, mas ele não me interrompeu. Respirei fundo, reunindo coragem para continuar.
— Fui encontrada ainda criança, nua e sem memória, em um beco, por minha mãe, Antônia. Ela me levou para casa e cuidou de mim, acionou as autoridades e, como ninguém me procurou, adotou-me. Eu não lembro de nada antes dos meus dez anos. A polícia investigou e não achou nada. Eu também tentei rastrear minhas origens, mas nunca tive sucesso. Estava esperando o momento certo para lhe contar sobre meu passado. Mas, vendo sua reação, devo julgar que já sabia? — perguntei.
— Eu já sabia. Descobri quando mandei te investigar — comentou. Senti uma esperança quando ele disse isso. Darius era poderoso e tinha recursos; ele devia ter descoberto algo.
— Então… você descobriu algo novo? — perguntei, cheia de expectativa.
— Infelizmente, meus investigadores não encontraram nada. Alguém garantiu que tudo antes dos seus dez anos fosse apagado. Alice, é como se você nunca tivesse existido. Talvez quem te criava te mantinha escondida por algum motivo — disse. Por um momento, achei que ele pudesse saber de algo mais. Suspirei.
— Pode ser… — falei, desanimada. Darius fez um carinho na minha cabeça.
— Me diga o que Lulu lhe contou? — perguntou. Suspirei mais uma vez e comecei a contar:
— Ela disse gostar da antiga eu… e que eu jamais me reconheceria agora. Que eu era completamente diferente… e que, às vezes, a entediava. E então, do nada, mencionou que alguém havia sido cruel comigo — contei.
Darius permaneceu em silêncio, mas eu podia sentir sua energia mudar. Ele se apoiou ligeiramente no cotovelo, observando-me como se tentasse decifrar cada detalhe do que eu dizia.
— Perguntei a Lulu quem havia sido cruel comigo, mas ela se recusou a responder. Ela… ficou com medo, Darius. Disse que não estava autorizada a me contar nada, que quem a enviou para me proteger era alguém muito mais assustador do que eu poderia imaginar — engoli em seco, sentindo a inquietação se espalhar pelo meu corpo. — E ela mencionou algo estranho… Disse “nos enviou”. Quem é esse ser? Quem colocou Lulu ao meu lado e, mais do que isso, quem me colocou aqui… sem memória? — falei, fazendo as perguntas mais para mim mesma do que para Darius.
Eu procurava e precisava de respostas. Por que Lulu tinha que mencionar que me conhecia? Eu estava começando a me conformar que nunca descobriria nada do meu passado.
O silêncio de Darius era denso, carregado de significados que eu ainda não compreendia. Seus olhos analisavam cada detalhe do meu rosto, como se estivesse processando a informação, ponderando o que dizer.


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