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O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA. romance Capítulo 127

POV ALICE.

Bartolomeu sorriu largamente para mim com o que havia acabado de ouvir. Eu senti meu rosto queimar de vergonha por revelar o que estava sentindo por Darius para seu pai. Eu me sentia desnorteada com esse novo sentimento. Era tudo muito confuso, mas eu sabia que era amor o que sentia por Darius.

— Então, você já o ama. Fico feliz em saber. Agora me diga, não acha estranho amar alguém em tão pouco tempo? E alguém que você dizia detestar? Vocês, humanos, não costumam amar tão rapidamente. Já nós, lobos, quando encontramos nossos companheiros, os amamos daquele instante até o nosso último suspiro de vida. Ainda acha que é apenas preocupação? — perguntou.

Observei Bartolomeu com atenção, e ele tinha razão. Eu sabia que não era somente preocupação que sentia. Mas não queria admitir isso a Bartolomeu. Eu não tinha tanta intimidade com ele para contar dos meus sentimentos. O pai de Darius me dava calafrios. Quando eu ia responder, minha mãe me chamou, fazendo-me olhar em sua direção.

— Alice, meu amor, eu gostaria de me retirar para o quarto agora. Estou um pouco cansada. Acho que a empolgação em planejar seu casamento me esgotou um pouco. Pode me acompanhar? — perguntou mamãe.

— Sim, mamãe. A senhora sabe que não pode sentir fortes emoções e se agitar — comentei, me aproximando dela e auxiliando-a a se levantar do sofá com cuidado.

— Ajudar nos preparativos do seu casamento não vai me fazer mal. Pelo contrário, me faz sentir útil. Estou cansada de ficar parada, sem fazer nada — disse mamãe e deu boa-noite para Agatha e Bartolomeu.

Os dois responderam, e nós saímos da sala, caminhando devagar. Sei como era difícil para minha mãe não poder cuidar do sítio e ter que ficar em repouso. Eu sentia falta da nossa vida no sítio, dos animais e das plantas que cuidávamos. Mas agora que estamos envolvidas no mundo sobrenatural, será difícil voltar para nossa vida.

— Logo, a senhora poderá fazer o que quiser. Mas, primeiro, tem que se recuperar e ter cautela, mamãe — falei enquanto começávamos a subir a escada devagar.

— Você, mais do que ninguém, sabe como é difícil para mim. Trabalho e cuido daquele sítio desde que seus avós faleceram, quando eu ainda era uma jovem. Sempre batalhei para sobreviver, e ficar dependendo dos outros como uma inválida está me matando lentamente. Preciso fazer alguma coisa antes que enlouqueça — disse mamãe, parecendo aflita.

— Por favor, mamãe, não se agite nem fique aflita. A senhora não pode ficar nervosa assim. Essa fase logo vai passar, e a senhora poderá fazer tudo que quiser — falei, tentando acalmá-la enquanto terminávamos de subir todos os degraus.

Mamãe parou um pouco para descansar e respirava ofegantemente. Fiquei apreensiva. Sentei-a numa poltrona que havia no corredor.

— A senhora está bem? Quer que eu chame o médico? — perguntei, preocupada.

— Não precisa, minha filha. Apenas me cansei um pouco — disse mamãe.

— Essa escada toda não é boa para a senhora. Verei com Darius para providenciarem um quarto para a senhora no primeiro andar. A senhora não pode se esforçar dessa maneira — falei, com medo de que esse esforço todo piorasse o estado da minha mãe.

— Acho que vou aceitar. Não estou acostumada a subir tantas escadas. Nossa casinha é térrea e pequena, não precisamos andar tanto para chegar ao quarto — disse mamãe, nostálgica.

— Verdade. Sinto falta da nossa casinha — comentei, sorrindo.

— Alice, você deve aceitar que não vai mais voltar para o sítio. Fico querendo voltar para casa, para minha rotina. Mas sei que nunca mais poderei ser como antes. Estou velha e operada do coração. Não poderei mais fazer o que fazia. A idade já me impedia de muita coisa, mas eu dava o meu melhor. Agora, não sei o que será de mim, minha filha — disse minha mãe, e, pela primeira vez, eu a vi chorar.

CAPÍTULO CENTO E VINTE E SETE: ENTÃO, VOCÊ JÁ O AMA. 1

CAPÍTULO CENTO E VINTE E SETE: ENTÃO, VOCÊ JÁ O AMA. 2

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