POV DARIUS.
Eu esperava no corredor do hospital, encostado contra a parede fria. A luz fluorescente piscava levemente acima de mim, acentuando a atmosfera estéril do lugar. Meus pensamentos estavam caóticos, divididos entre Alice e a alcateia, e isso só aumentava minha irritação. Era como se o peso de duas responsabilidades distintas estivesse sobre meus ombros, ambas exigindo prioridade imediata.
O som dos passos ecoando pelo corredor me tirou dos devaneios. Levantei a cabeça assim que o cheiro familiar de minha mãe e do meu pai chegou até mim. Poucos segundos depois, meus pais apareceram no final do corredor. Eles chegaram em tempo recorde, devem ter vindo correndo transformados em lobos ou já estavam aqui por perto.
Minha mãe veio apressada, com seus braços abertos. O gesto caloroso, que ela sempre tinha quando se aproximava de mim. Quando ela me envolveu num abraço, meu corpo ficou rígido, e um rosnado baixo escapou dos meus lábios antes que eu pudesse conter. Eu não gostava de abraços e dessas demonstrações de afeto. Minha mãe sempre se esquecia que eu era um rei alfa supremo impiedoso, amaldiçoado e sanguinário.
— Darius! — Mamãe me repreendeu como sempre, afastando-se um pouco, mas mantendo uma das mãos no meu braço. Seus olhos brilhavam com uma mistura de compaixão e mágoa. — Por que sempre reage assim? Sou sua mãe, não uma estranha. — Falou. Ignorei o olhar magoado dela e voltei minha atenção para a pergunta que ela fez em seguida.
— Como estão Alice e Antônia? — ela questionou, preocupada.
— A mãe de Alice continua na UTI — respondi, direto e firme, cruzando meus braços. — Alice está na sala de espera com os amigos, aguardando noticias. O médico informou ser preciso esperar quarenta e oito horas para ela acordar e saber se Antônia terá sequelas. — Informei. Meu pai, mais reservado, aproximou-se em silêncio. Nos cumprimentamos com um aperto de mão. Seu aperto de mão era forte, uma saudação que comunicava respeito.
— Preciso voltar à alcateia — anunciei, encarando meu pai. — Há problemas para resolver, mas não quero deixar Alice sozinha aqui, especialmente com aquele amigo dela por perto. — Falei irritado. O rosto de minha mãe se contraiu em confusão.
— Que amigo? — ela perguntou, franzindo o cenho. Antes que eu pudesse responder, Baltazar rugiu em minha mente com seu tom usual de desdém e possessividade.
— É o maldito humano que se atreve a desejar o que é o nosso. Se você me deixasse lidar com ele, já havia resolvido esse problema. — Comentou Baltazar mentalmente.
— Não começa Baltazar. — Retruquei mentalmente, contendo um suspiro. — Eu não posso simplesmente arrancar a cabeça dele aqui, ou permitir que você faça. Quer que Alice nos odeie? — Perguntei.
— Isso é uma merda. Não poder matar aquele infeliz está me enlouquecendo. Ele é uma ameaça. Cada olhar que lança para ela é um desafio feito a nós. Isso é inaceitável. — Disse Baltazar raivoso. Minha mandíbula se apertou, e voltei minha atenção aos meus pais. Tentando não me afetar por meu lobo possessivo e ciumento.
— Luís é um humano que está sempre grudado em Alice. Ele não esconde o interesse por ela, mas Alice parece não perceber, ou fingir não saber. — Comentei insatisfeito. Meu pai trocou um olhar significativo com minha mãe. Ambos ficaram em silêncio por um momento, absorvendo a informação. Meu pai, então, quebrou o silêncio com sua voz firme e ponderada.

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