POV ALICE.
As palavras de Darius ainda ecoavam na minha mente: “Encontre-me no seu quarto dentro de quinze minutos.” Meu estômago revirava com uma mistura de ansiedade e raiva. Quem ele pensava ser para ditar ordens dessa forma? Respirei fundo, tentando reunir a calma que me escapava a cada segundo.
Olhei ao redor do quarto, buscando algo que me distraísse, mas tudo parecia conspirar contra mim. Cada detalhe do ambiente me lembrava da presença dele naquela casa, da presença que, agora, parecia dominar também meu espaço pessoal.
A simples ideia de compartilhar qualquer coisa com Darius me fazia querer gritar. Quando ele finalmente bateu à porta, o som fez meu coração disparar. Firmei os ombros, determinada a não mostrar fraqueza.
— Entre. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mas ainda assim não consegui evitar a ligeira hesitação que ela carregava.
Ele entrou, fechando a porta com um movimento calculado. Sua presença parecia preencher todo o cômodo, tornando o espaço ainda menor. Darius segurava um envelope, e seus olhos fixaram-se nos meus, carregados daquela confiança irritante que o definia.
Ele disse ter trazido os documentos e se aproximou. Então era isso, o contrato de casamento estava pronto? Ele estendeu o envelope na minha direção, e nossos dedos se roçaram brevemente quando o peguei. O contato foi rápido, mas deixou uma fagulha incômoda no ar. Meu coração se acelerou.
Eu estava sentada na poltrona perto da janela, e abri o envelope com movimentos cuidadosos. Meus olhos correram pelas páginas, analisando cada linha com atenção, levei bastante tempo para ler com calma. Era meu futuro que seria decidido ali naquele momento. Não havia nada fora do lugar. Nenhuma armadilha, nenhuma condição escondida. Contra minha vontade, senti um resquício de alívio.
Comentei estar tudo em ordem, erguendo o olhar para encontrá-lo. Havia um brilho de triunfo nos olhos de Darius, como se ele soubesse que eu não encontraria falhas. Ele me entregou uma caneta ordenando que eu assinasse.
Que raiva dessa mania dele de me dar ordem. Hesitei por um momento antes de assinar. Quando terminei, ele pegou a caneta e o documento da minha mão e assinou também. Fechou o envelope com um gesto firme e me encarou.
— Amanhã cedo, o contrato será registrado oficialmente. Mas, a partir deste momento, estamos casados. — Suas palavras eram definitivas, quase como um decreto. — Você deve se mudar para o meu quarto imediatamente. Ele já está preparado para nós dois. — Suas palavras me causaram um frio na barriga.
Meu coração parou por um instante antes de disparar como um tambor. Arregalei os olhos, incapaz de esconder minha surpresa e desconforto. Eu não queria ir agora para seu quarto, precisava me preparar para essa nova fase da minha vida.
Darius cruzou seus braços, esse gesto sempre o deixava mais charmoso ainda. Ele inclinou-se ligeiramente para frente. Seus olhos fixaram-se nos meus, eles tinham um brilho azul, frio e implacável.
— Não, Alice. Será hoje. — Decretou. A audácia dele me deixou sem palavras por um momento.
Uma onda de raiva subiu pelo meu corpo e me levantei da poltrona com um movimento brusco. E falei brava, apontando para ele. Mas Darius permaneceu inabalável, sua expressão endurecida. Quando ele finalmente falou, sua voz era baixa e fria. Me lembrando do nosso acordo e não dando margem para reclamações.
Fiquei intimidada com tudo aquilo. A grandeza do lugar fazia meu quarto parecer um simples cubículo. Darius entrou atrás de mim e fechou a porta, e a tensão entre nós parecia aumentar a cada segundo. Ele observou minha reação sem dizer uma palavra, como se estivesse esperando que eu falasse primeiro.
Engoli em seco, sentindo-me pequena naquele ambiente. Era como se o quarto fosse uma extensão do poder dele, e estar ali fazia meu desconforto crescer exponencialmente. Isso tudo não combinava comigo. Não me sinto confortável nesse lugar.
— Este será o seu espaço agora. — Ele quebrou finalmente o silêncio, sua voz baixa e controlada. Havia algo no tom dele que parecia um aviso. Como se ele esperasse que eu não questionasse.
— É… impressionante. — Admiti, apesar de tudo. Minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
Meu olhar percorreu o cômodo novamente, tentando encontrar algo que me fizesse sentir mais à vontade, mas era tudo tão impessoal, para mim. Ele se aproximou, parando a poucos passos de mim. Sua proximidade era sufocante, e meu coração bateu mais forte enquanto eu tentava manter a compostura.
— Amanhã cedo, organizaremos as suas coisas. Por hoje, descanse. Vou até o escritório para guardar o documento. Te darei privacidade para se preparar para dormir. O banheiro fica naquela porta à direita. — Comunicou, seus olhos fixos nos meus, desafiando-me a argumentar.
Assenti levemente, incapaz de encontrar palavras. A tensão no ar era quase palpável, e eu sabia que aquela noite não seria fácil. Na verdade, nada seria fácil para mim a partir de agora. Mas prometo que não será fácil para ele também.

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