POV DARIUS.
Baltazar ficou eufórico quando ouviu Alice perguntar se éramos o lobinho.
— Você ouviu? Ela nos reconheceu! Quer dizer, me reconheceu! — falou, se vangloriando, cheio de satisfação.
— Sim, parece que ela te reconheceu, mas ainda é cedo para comemorar. Não estou vendo ela correr para te abraçar — comentei, com sarcasmo.
— Isso é um mero detalhe, meu caro Darius — respondeu, cheio de arrogância. Voltei a me concentrar em Alice, tentando entender o que estava se passando em sua mente.
Resolvi me transformar para podermos conversar. Em questão de segundos, estava em minha forma humana diante de Alice, que agora me encarava de olhos arregalados e boca entreaberta, como se tentasse processar o que via.
— Como tudo isso é possível? Então, você é o lobinho? — perguntou, parecendo chocada, mas sem recuar, o que admirei em silêncio.
— Sim, eu sou o lobo que você salvou na margem do rio. Sou um lobisomem, Alice. E precisamos conversar — comentei, observando cada nuance de sua reação.
— É, precisamos. Eu gostaria de saber tudo dessa história. Tudo isso é muito absurdo para mim — disse, levantando e indo se sentar na cama com movimentos hesitantes, como se estivesse desnorteada.
— Então, Alice, como eu disse, sou um lobisomem, mas não qualquer lobisomem. Sou o rei alfa supremo dos lobos. Você está na minha alcateia e, consequentemente, no mundo sobrenatural. Com o tempo, descobrirá as diversas espécies de seres que vivem entre os humanos, sem o conhecimento deles. E, sobre isso, é estritamente proibido revelar a existência desse mundo — expliquei, escolhendo cuidadosamente cada palavra.
— Se é proibido, por que está me contando? — perguntou, arqueando as sobrancelhas enquanto tentava se manter racional diante da enxurrada de informações.
— Existe uma brecha nessa lei. Quando envolve o companheirismo. Quando um ser encontra seu companheiro e ele é humano, isso permite que o segredo seja revelado. É o nosso caso, Alice. Você é minha companheira de alma, então posso te revelar — expliquei, tentando não a intimidar.
— Eu não estou entendendo essa história de companheira — disse, a confusão evidente em sua voz.
— Essa explicação é longa e, com o tempo, você entenderá. Agora, o que você precisa saber é que nasceu para ser minha companheira e Luna. Você deve reinar ao meu lado e me ajudar a cuidar da nossa alcateia. Preciso lhe alertar que, a partir de agora, não poderá me afrontar ou desobedecer — falei, adotando um tom firme. Alice fez uma careta de desagrado, o que me provocou um sorriso involuntário.
— Vou fingir que não ouvi suas palavras, pois estou muito curiosa para saber mais. Por que fugiu da minha casa? — perguntou. Suspirei, ponderando por onde começar.
— Quando acordei, eu não sabia quem você era. Só te reconheci quando meu lobo, Baltazar, despertou e lhe reconheceu. Fui enganado, envenenado e tive que lutar pela minha vida. Consegui me salvar, mas estava muito ferido e caí no rio, que me levou até você. Contudo, a droga que tomei bloqueou Baltazar e, com isso, meus poderes. Tornei-me um humano inútil. Quando Baltazar despertou, pude me curar. Meu lobo ficou muito feliz por te encontrar e queria ficar ao seu lado, mas minha alcateia precisava de mim, e sua mãe nos queria longe do sítio. Então, fomos embora — contei, mantendo o olhar fixo no dela.
— Por isso, se curou rapidamente e foi embora. Falando em minha mãe e no sítio, por que fez toda essa maldade conosco, se diz que sou sua companheira? — perguntou, com irritação na voz.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA.