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O REI ALFA QUE SE APAIXONOU POR UMA HUMANA. romance Capítulo 90

POV ALICE.

Eu estava furiosa. Obediência? Ele queria mesmo que eu lhe obedecesse? Que tipo de ser achava que podia impor algo assim? Segurei a vontade de explodir. Não estava em condições de enfrentá-lo, ainda mais num território estranho e completamente desconhecido para mim. Respirei fundo, tentando me acalmar, mas por dentro minha mente fervilhava de reclamações. Tudo isso era uma loucura.

Um mundo sobrenatural oculto entre os humanos? Isso parecia saído de um livro de fantasia, mas aqui estava eu, vivendo essa surrealidade. E, como se não bastasse, descobrir que o lobo que salvei e que me afeiçoei era Darius, o ser que comprou meu sítio e me forçou a esse casamento… Isso era demais para processar.

Como se não fosse o suficiente, agora eu era informada de que era sua companheira de alma. Eu nem entendia direito o que isso significava, mas uma coisa era clara: estava presa a ele para sempre. Adeus, divórcio. Adeus, planos de liberdade.

E minha mãe? Como ela reagiria ao descobrir isso tudo? Ela ficaria assustada? Eu não fazia ideia de como esconderia a verdade dela. A preocupação me consumia, misturada com a confusão e uma dose amarga de mágoa.

Darius não gostava de mim. Ele mesmo disse. Depois de tudo que ele falou, como poderia não me sentir ferida? Primeiro, ele se declara, mas agora diz que quem me ama é o lobo dele. Meu coração se apertou, mas não deixaria isso me abalar.

Ao menos, meu lobinho tinha um nome bonito: Baltazar. Sorri internamente ao lembrar do nome. Gostava da parte lobo de Darius, talvez mais do que do próprio Darius. Embora, para minha infelicidade, estivesse começando a gostar dele. Sei que era um erro, um erro enorme. E Darius tratou de deixar bem claro que não gostava de mim, com sua insensibilidade.

— Darius — comecei, tentando parecer casual. — Posso ver o Baltazar? Estou sentindo falta dele. — perguntei, olhando diretamente para ele. Ele resmungou algo, mas assentiu, embora tenha me avisado com um tom severo.

— Não me responsabilizo se você ficar assustada. — respondeu Darius, com frieza. Revirei os olhos.

— Assustada? Nunca. O lobinho não me assusta. Você me assusta mais com sua grosseria. — retruquei, irritada. Ele me lançou um olhar frio e alertou:

— Mostre respeito. Sou um rei alfa supremo. — disse, com orgulho.

Lá vamos nós de novo. Toda hora ele mencionava esse título como se fosse a única coisa importante no mundo. Narcisista, pensei. E decidi que não ficaria chamando-o de sua majestade a cada cinco minutos.

Observei quando ele começou a se transformar. O som dos ossos estalando era desconfortável, mas havia algo incrivelmente fascinante no que eu via. Cada movimento parecia calculado, quase elegante, apesar de o processo parecer doloroso para mim.

Em poucos momentos, Baltazar estava diante de mim, o enorme lobo negro com olhos azuis intensos. Ele me olhava com cuidado, como se esperasse por uma permissão. Sorri e estendi a mão, convidando-o a se aproximar. Ele veio devagar, e quando estava ao alcance, comecei a acariciar seu pelo macio.

— Eu senti tanto sua falta — confessei. — Fiquei tão triste quando você partiu. — falei, com emoção na voz. Baltazar inclinou a cabeça como se me entendesse.

— Então, seu nome é Baltazar? — perguntei, observando-o atentamente. Ele balançou a cabeça. Eu sorri.

— É um lindo nome. Combina com você. Mas eu gostaria de, ocasionalmente, te chamar de lobinho. Posso? — perguntei, brincando. O lobo sentou-se sobre as patas traseiras, abanando o rabo com entusiasmo. Ri com sua reação e, num impulso, abracei-o.

— Estou aliviada por você estar vivo e bem — murmurei. — Prometa que sempre vai ficar por perto. Sei lidar com você. Mas Darius… — Suspirei.

— Não me incomodo com a minha nudez. Aliás, aqui na alcateia, ninguém se incomoda. Andamos nus ao nos transformar. Não temos bolsos para levar roupa. — explicou Darius, com naturalidade. — E você parece gostar de me ver nu, já que posso sentir sua excitação por mim. — acrescentou, com um sorriso provocador. Minhas bochechas queimaram. Ele sabia? De todas às vezes?

— Não precisa sentir vergonha, minha esposa — continuou Darius. — Causo esse efeito nas fêmeas. E como minha companheira, é normal se sentir atraída por mim. — disse ele, com um tom seguro. Bufei.

— Chega de falação. Vamos dormir. Estou cansada. — declarei, encerrando a conversa.

E sem esperar por sua resposta, me virei e me sentei na cama, escolhendo o lado direito para dormir. Puxei o lençol, tentando ignorar a satisfação evidente no sorriso de Darius.

Darius foi para o banheiro e ficou lá por uns vinte minutos. Quando voltou, estava com os cabelos molhados e uma toalha enrolada na cintura. Ele era uma tentação deliciosa. Observei cada detalhe daquele corpo magnífico que ele tinha. E me senti excitada. Isso não vai dar certo. Esse lobo me deixa muito excitada, não sei o que estava acontecendo comigo.

— Acho melhor você parar de me desejar, ou terei que te satisfazer e quebrar uma de suas exigências. Não esqueça que posso sentir o cheiro de sua excitação, e ela está insuportável agora — comentou Darius, sério.

Senti meu rosto queimar com suas palavras. Merda, como vou agir agora se meu corpo traidor teima em se excitar por esse ser?

Me virei de costas para ele, envergonhada pela situação. Ouvi Darius rir e me surpreendi. Eu achava que ele nem sabia sorrir e agora o ouço gargalhar. Isso era novo para aquele ser rabugento. Sua risada era poderosa e me fez sentir estranhamente ainda mais excitada.

Senti a cama afundar e sabia que Darius havia se deitado. Eu agradecia mentalmente por haver uma barreira entre nós feita por um travesseiro gigante, colocado no meio da cama, nos impedindo de nos encostar.

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