YENA
Quanto ao meu projeto, fazia mais sentido trabalhar nele no palácio do que no estúdio da escola, então organizei meus materiais em uma grande mesa na sala de estar que ficava no mesmo corredor do nosso quarto.
Rafaela por acaso me encontrou lá na tarde seguinte quando veio fazer a limpeza.
Ela ficou maravilhada e andou pela sala, tocando os tecidos que eu havia colocado sobre as cadeiras e as chaises longues. Eu estava desenhando sobre uma mesinha, com vários rascunhos espalhados ao meu redor no chão.
“Assim não dá...”, disse ela, balançando a cabeça.
Logo em seguida, um pequeno exército de criados entrou na sala e tirou a maior parte da mobília. Um deles quase levou embora a cadeira em que eu estava sentada.
Eles pegaram meus desenhos e os prenderam em quadros de avisos de feltro, que instalaram nas paredes, e colocaram uma grande escrivaninha de carvalho polido sob a janela.
Quando voltei do jantar, a sala já estava toda arrumada.
Meus olhos ficaram marejados de lágrimas quando vi quatro manequins de costura de tamanho grande. Meus tecidos, todos recém-passados, e designs em andamento estavam enrolados em volta deles.
Eu nunca tinha sido tratada assim antes, nem tinha recebido tanto de ninguém.
Rafaela se aproximou e parou ao meu lado. Ela correu os olhos pela sala e sorriu.
Pisquei, e algumas lágrimas escorreram. A diaconisa fingiu não notar; ela me entregou um lenço de seda, mas continuou olhando em outra direção.
"Precisa de algo mais, senhorita Yena?"
“Não, obrigada”, respondi, “Você já fez o suficiente. Isto é incrível."
“É uma honra”, disse ela.
Rafaela permaneceu perto da entrada, enquanto eu entrei na sala e comecei a dar uma volta por ela, tocando em tudo.
Ao lado da escrivaninha, havia uma luminária de chão alta, com uma base dourada e uma cúpula de vidro colorido, em tons de ouro e marfim. Puxei uma pequena corrente de ouro para ligá-la.
O sol estava se pondo lá fora e, quando olhei pela janela, vi o céu escurecendo rapidamente, tornando a floresta uma silhueta negra e pontiaguada.
Bem alto, no céu, a lua brilhava, branca. Logo seria época de lua cheia; a primeira desde que conheci Nolan.
A primeira desde que minha loba ganhou vida.
Fiquei com vontade de perguntar a Nolan o que aconteceria com ela na noite de lua cheia.
Mas ele quase não aparecia ultimamente, e eu estava com um pouco de vergonha por ter que perguntar.
Ele foi o único que me ensinou alguma coisa sobre ser um lobo, mas eu ainda tinha tantas perguntas para fazer...
Às vezes eu me perguntava como era a loba de minha mãe biológica.
Será que a loba dela também tinha pelos dourados, como a minha?
"Tem certeza de que você está bem, senhorita Yena?", perguntou Rafaela, que continuava perto da porta.
Virei-me.
“Ah, sim... Desculpa, eu só tava um pouco pensativa”, respondi.
Fui até ela de novo para que pudesse agradecê-la olhando em seus olhos por ter montado meu novo estúdio.
“Não foi nada de mais, senhorita Yena”, disse a diaconisa. “É o mínimo que posso fazer para…”
Ela parou no meio da frase, fazendo uma expressão triste e estranha.
"Para o quê?", perguntei.
“Nada”, respondeu Rafaela. Ela era uma péssima mentirosa.
"O que tá acontecendo?", insisti.
“Só quero ter certeza de que você está feliz, minha senhora”, disse ela, depois de uma pausa longa e suspeita.
“Por que eu não estaria?”, questionei. Por um momento, fiquei pensando se ela de alguma forma sabia o que tinha acontecido comigo no campus, envolvendo Caryn e as meninas.
A diaconisa era pior ainda guardando segredos do que era mentindo.
“Já que o príncipe está... fora do palácio tantas vezes”, explicou ela, “Nós ficamos preocupados com você, srta. Yena. Não deve ser fácil saber o que dizem sobre essas misteriosas ausências dele."
"Do que você tá falando?", perguntei, “Ele não tá trabalhando?”

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?