Voltamos juntos para a sala de jantar. Minha refeição, que antes estava pela metade, havia sido retirada da mesa e substituída por uma nova porção de comida.
Se Nolan tinha algo para me dizer, não estava com pressa para fazê-lo. Ou então queria ter certeza de que todos os criados, que corriam para nos servir xícaras de café quentinho e nos trazer comida, não estariam presentes quando ele me repreendesse.
Quando enfim estávamos sozinhos na sala, ele disse: “Achei a sua atitude impressionante”.
Relaxei na mesma hora. "É sério? Você acha que fiz a coisa certa?"
Ele tomou um grande gole de café, pousou a xícara na mesa e se virou para mim. Coloquei a garfada de panqueca que eu estava prestes a comer de volta no prato.
Em seguida, o príncipe pegou minha mão e me deu um leve sorriso. "É sério. Achei que você foi muito corajosa e precisou de bastante caráter e confiança pra dizer aquilo.”
"Eu não te fiz passar vergonha?" Eu estava um pouco na defensiva, e havia um certo sarcasmo em meu tom quando fiz a pergunta. Mas percebi que, na verdade, eu que me sentia um pouco envergonhada por ter explodido e esperava não tê-lo ofendido.
"De jeito nenhum", respondeu ele, "Você foi ótima. Acho que nunca te vi agir como realeza tanto quanto agora."
Por fim, ele esboçou um sorriso de verdade. Devia ser a primeira vez que eu o via sorrir assim. A expressão dele era tão gentil e ele ficava tão lindo que de repente me senti absurdamente atraída por Nolan.
Senti-me corar e soltei sua mão.
"Tudo bem", disse eu, "Tô feliz que você não tá bravo."
Seu sorriso regrediu um pouco, e ele se virou de volta para a mesa. "Você não deveria se preocupar em me deixar bravo", falou o príncipe, tornando a usar o tom mais sério de sempre.
Voltei a prestar atenção em minhas panquecas.
Receber a aprovação dele era melhor do que eu imaginava, além de ter visto aquele belíssimo sorriso... Comecei a ficar com calor de tanto carinho que sentia por ele.
Percebi que lágrimas estavam ameaçando brotar de meus olhos e tentei pensar em algo que pudesse dizer para mudar de assunto. Eu sabia que ele não gostava de me ver chorar.
“O que você vai fazer hoje?”, perguntei.
Ele deu de ombros. “Vou ter que participar de uma audiência parlamentar. Provavelmente vai durar o dia todo."
Assenti com a cabeça.
“Como tá indo seu projeto?”
"Bem", respondi, tentando pensar no que mais poderia lhe dizer sobre o assunto. O problema era que eu não tinha certeza do quanto ele estava interessado de verdade.
Eu também estava começando a perceber, agora que não estava mais preocupada em ser repreendida pelo príncipe, que meus visitantes me fizeram pensar em coisas desagradáveis. Eu odiava admitir, mas eles tinham cutucado uma ferida.
Os nobres não eram os únicos que tinham perguntas a respeito de minha família. Eu mesma também queria saber.
E, na maior parte do tempo, eu não tinha a menor esperança de encontrar qualquer resposta.
Nolan e eu conversamos um pouco sobre minhas aulas e terminamos de tomar café. Então, eu lhe disse que precisava ir trabalhar no projeto, e ele acenou com a cabeça e se levantou para sair junto comigo.
Antes de nos separarmos, ele pegou de novo minha mão e me deu outro sorriso. Não era tão grande quanto o de antes, mas me lembrou dele mesmo assim, por ser genuíno.
Percebi que eu estava esperando que ele me beijasse, mas o príncipe apenas segurou minha mão e me deu uma piscadela antes de ir na outra direção.
Fui para o estúdio e acendi todas as luzes. Tirei alguns tecidos dos manequins e sentei-me à mesa de costura.
Eu não estava criando nada em particular, só queria trabalhar.
Enquanto eu segurava a chapa de agulha da máquina de costura, um de meus dedos acabou sendo perfurado e começou a sangrar. Coloquei-o na boca e o apertei até parar o sangramento, depois enrolei-o em um pequeno curativo improvisado que fiz com o tecido e voltei ao trabalho.
Após isso ter acontecido, não deixei mais minha mente vagar; apenas me concentrei no barulho rítmico da máquina enquanto eu guiava o tecido para frente e para trás, na linha mais reta possível.
NOLAN
Nolan voltou ao palácio tarde da noite, exausto. A lua já estava bem alta no céu; mais um pouquinho e estaria cheia.
Ele estava pensativo, então entrou no piloto automático enquanto percorria o caminho de sempre pelos grandes salões do palácio. Um vento frio uivava lá fora. Seu hálito quente virava fumaça e era deixado para trás a cada passo que o príncipe dava, andando rápido como de costume.
Nolan tinha apenas onze anos na última vez que viu Adan.
Naquela época, o meio-irmão tinha dezenove anos e era rebelde e ressentido. Antes de ir embora, parecia que, nos dias bons, ele achava Nolan irritante, e, nos ruins, intolerável.
Depois que a mãe de Adan, a ex-rainha Luna, morreu, o rei casou-se de novo, como era de se imaginar; dessa vez foi com a mãe de Nolan.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?