YENA
Acordei com uma notificação de meu celular e, quando fui ver, era uma resposta de Susan.
"Tá. Me encontra na biblioteca às 7h30."
Só isso.
Pisquei e esfreguei os olhos. Nolan já havia acordado e conversava baixinho ao celular, andando de um lado para o outro no closet.
Eu estava me enrolando na toalha depois de tomar um banho quente quando ele bateu de leve na porta. Dei-lhe permissão para entrar.
A porta se abriu devagar, e Nolan deu um passo para frente. Ele olhou para mim e depois para o chão por um instante. No momento em que ergueu os olhos de volta para mim, parecia que ele estava fazendo um grande esforço para me olhar nos olhos.
"Ei", disse ele, “Quer vir tomar café da manhã comigo?”
Só respondi: “Ah...” Eu não sabia que desculpa dar para explicar por que estava ocupada às seis da manhã de repente.
"Tá tudo bem", disse ele, dando um passo para trás e saindo do banheiro. "Só pensei em perguntar, já que você acordou cedo."
“É que eu não tô com fome agora”, falei. Não era mentira; eu estava com um nó no estômago desde que vi a mensagem de Susan.
O príncipe assentiu e fechou a porta atrás de si sem fazer barulho.
Eu provavelmente poderia ter recusado a sugestão dele com um pouco mais de gentileza, mas estava com a cabeça em outro lugar.
Obviamente, ocorreu-me que poderia ser uma armadilha.
Susan poderia estar me atraindo para algum lugar na escola, onde ela estaria à espreita com a gangue dela, pronta para me atacar de novo.
Mas eu tinha a sensação de que ia dar tudo certo. Era só um instinto.
E eu precisava tentar. Se não o fizesse, passaria o resto de minha vida me perguntando se poderíamos ter feito as pazes caso eu tivesse me esforçado.
Ainda eram quinze para as sete quando chegamos ao estacionamento. Deixei o motorista ir embora, saí do campus e subi uma colina em direção a uma padaria ali perto.
Susan e eu costumávamos ir lá quando éramos amigas. Eles tinham todos os tipos de doces e guloseimas, mas sempre escolhíamos os cupcakes de chocolate. Nós os pegávamos antes de irmos para o estúdio, quando planejávamos passar o dia todo trabalhando lá juntas.
Comprei um cupcake de chocolate para Susan, como oferta de paz, e uma xícara de chá quente para mim. Observei da janela da padaria o nascer do sol, pintando o horizonte de laranja, depois desci a colina em direção ao campus enquanto os sinos da torre do relógio badalavam sete vezes, anunciando a hora.
NOLAN
O sol estava nascendo, derramando sua luz laranja e amarela pelas altas janelas do palácio, enquanto o príncipe dava início à sua prática matinal de esgrima.
Nolan estava treinando com Leo, filho de um amigo, atleta talentoso e o melhor adversário que ele conseguiu encontrar.
O príncipe era bem habilidoso, pois tinha começado a ter aulas de esgrima aos seis anos e, ao longo da adolescência, participou de várias competições profissionais. Como com qualquer outra habilidade que decidia dominar, ele dedicou incontáveis horas praticando concentrado ao longo dos anos. Aos quinze anos de idade, foi reconhecido como um prodígio.
Embora parecesse improvável porque tinha um corpo largo, Nolan era flexível e ágil com os pés. Além disso, ele também era muito inteligente e sempre conseguia manipular os oponentes com suas fintas, deixando-os abertos para ataques bem-planejados.
Após ficar em primeiro lugar na maior competição nacional de esgrima por três anos consecutivos, o príncipe se aposentou dos torneios, pois começou a achá-los entediantes e uma perda de tempo.
Agora ele praticava apenas por amor ao esporte e para se desestressar. Não tinha sido fácil encontrar alguém que pudesse praticar com ele, no entanto; alguém que pudesse acompanhar seu ritmo, desafiá-lo e manter as lutas interessantes.
Leo estava avançando quando Nolan ouviu um barulho do outro lado da sala. Alguém havia entrado e esperava educadamente ao lado da porta.
Ele atacou, e o príncipe aparou o golpe antes de se lançar para frente e contra-atacar, rapidamente marcando um ponto ao superar Leo.
Depois disso, Nolan se virou e tirou a máscara de esgrima. Era o secretário dele que estava esperando na entrada.
De trás dele, uma empregada veio e entrou na sala, trazendo um copo d'água. Ela o entregou para o príncipe e foi embora com a mesma pressa com que entrou.
O homem esperou até que a criada estivesse fora de vista para falar.
“Milorde, você recebeu uma ligação do secretário de Estado”, informou ele.

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