Susan estava sozinha. Isso, pelo menos, me deixou aliviada.
“Oi”, cumprimentei quando ela entrou.
Ela olhou para mim, mas não disse nada. Em seguida, aproximou-se e se sentou na outra ponta da mesa.
“Eu só queria falar com você”, continuei, “Pra ver se podemos encontrar uma maneira de resolver isso. Sei que as coisas nunca vão voltar a ser como eram antes, mas eu só queria que pudéssemos ao menos ser civilizadas uma com a outra... pelo nosso próprio bem."
Ela cruzou os braços, continuou me olhando feio e permaneceu calada.
“Sinto muito”, disse eu, “Pelo que aconteceu envolvendo o Nolan. Sei que foi difícil pra você."
Susan desviou o olhar, e vi seus olhos ficarem marejados de lágrimas. Uma escorreu por sua bochecha, e ela a enxugou com pressa na manga do suéter.
“Mas você tem que entender”, expliquei, “Nunca pedi nada disso. Na verdade, foi horrível pra mim. No começo...”
"Ah, tá", interrompeu Susan, "Horrível. Ter que se mudar pra um palácio com um lindo príncipe...”
“Sim”, insisti, “Sabe, ele não me tratava muito bem, e eu não queria sair de casa. Só que não tive uma escolha."
"É", disse Susan, falando um pouco mais baixo. "Olha, eu realmente pensei que talvez pudesse deixar pra lá quando vi sua mensagem ontem à noite."
Fiquei esperançosa, e meu coração deu um pulo.
Mas então ela continuou.
“Só que, quando te vejo agora”, falou, olhando-me de cima a baixo, “Me lembro de tudo o que você fez.”
“Sinto muito, Susan", repeti, “Você tem que acreditar em mim; fiquei tão surpresa com tudo o que aconteceu quanto você. O que posso fazer pra consertar as coisas?”
Ao fazer essa pergunta, lembrei que trouxe um presente para ela. Peguei a caixa com o cupcake e empurrei-a devagar na direção dela.
“É só um gesto”, falei.
Susan manteve-se de braços cruzados e ficou encarando o cupcake enquanto eu o deslizava para ela.
Por fim, ela piscou várias vezes e disse: "É sério?"
Apenas olhei para Susan, confusa. Eu não sabia mais o que dizer.
"Você tá me dando um cupcake?", perguntou ela em um tom incrédulo. “Acha mesmo que isso é o suficiente por ter roubado minha vida?”
Ergui uma sobrancelha e perguntei: "Oi?"
"Tudo o que você tem agora era pra ser meu", cuspiu ela, “Minha coroa, meu marido, meu futuro. Como você pôde tirar tudo isso de mim?"
Foi uma coisa interessante de se ouvir. Eu não sabia que ela pensava assim.
“Ah, aliás”, continuou ela antes que eu pudesse responder, “Me convidaram pro Noble Club na semana passada. Tenho certeza que você pensou que eu nunca fosse receber um convite, né?"
"Oi?", repeti e comecei a me preocupar que talvez parecesse meio burra.
“Você se acha melhor do que eu agora”, afirmou ela, “Com esses brincos antigos e chiques e a sua grande transformação... Você acha que eu sou um lixo, né? Pois bem, notei que não foi convidada pra se juntar ao Noble Club, então pelo menos é uma coisa que eu tenho, e você, não."
Fiquei completamente decepcionada.
No fim, Susan nunca deixaria de ter um problema comigo; tive certeza disso. Tudo o que ela queria fazer no momento era tentar me machucar.
Não tive coragem de contar a ela que, na verdade, recebi um convite para entrar no clube, mas o recusei. Parecia que ela se sentia melhor por pensar que eu estava sendo excluída.
Resisti ao impulso de mexer nos brincos por me sentir constrangida de estar usando eles agora.
Eu os havia recebido da Luna como presente de casamento; eram pequenas pérolas engastadas em filigrana de ouro. Eu os amava e os usava quase todos os dias.
"Yena", continuou Susan, em um tom monótono e sério, “Acho que nunca vou poder te perdoar por isso. Nós duas nunca mais vamos ser amigas."
Meus olhos ficaram marejados de lágrimas.
“Você não pode estar falando sério”, disse eu em voz baixa, quase sussurrando.
"Ah, pois estou", respondeu ela.

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