O que estava por cima de tudo na caixa era um cartão, sobre um papel de seda dourado e brilhante.
Era um convite para um jantar romântico com Nolan na noite seguinte. Lê-lo me fez sorrir.
Ele poderia simplesmente ter me perguntado cara a cara esta noite. Mas o convite formal, escrito com uma linda letra cursiva, foi um belo toque.
Levantei a folha de papel dourado e me deparei com um elegante vestido preto dobrado com cuidado por baixo dela. Ergui-o, e Rafaela disse: “Ooh!” Ela o pegou de minhas mãos e o pendurou em um dos manequins de costura.
Havia uma última coisa na caixa também. Removi mais uma camada de papel de seda dourado, justo quando a diaconisa estava voltando para dar uma olhada nos meus presentes.
Levantei a roupa pelas alças finas e sedosas e descobri que era um roupão preto e transparente de renda.
Era bastante sexy.
Rafaela o encarou em silêncio, horrorizada.
Dobrei-o e o guardei de volta na caixa. Não pude olhar para Rafaela, senão riria da reação dela. Ela murmurou algo que não consegui entender, depois foi embora e sumiu.
Foi uma mudança bem-vinda de ritmo ter que acordar no dia seguinte e voltar às nossas rotinas normais. Nolan tinha que trabalhar, e Lucy me visitaria à tarde.
Não que tudo estivesse normal agora, nem que voltaria a ficar.
Muitas coisas haviam mudado esta semana.
Coisas que nunca mais voltariam a ser o que eram.
Nolan e eu ainda não havíamos conversado sobre o real significado da guerra iminente com Adan, nem havíamos reconhecido em voz alta que essa era a realidade. Mas eu sabia que era verdade e que ele também estava ciente disso.
Também nunca conversamos sobre as outras questões.
O negócio de ter filhos ou de eu ir estudar no exterior.
Lucy chegou um pouco atrasada. Só de vê-la sorrir, já me senti abraçada, e aí ela me deu um abraço de verdade, bastante caloroso.
Foi ótimo rever minha amiga.
Ela me fez diversas perguntas sobre a situação no palácio, sobre a entrevista que dei no orfanato e como tudo aquilo aconteceu.
Sei que as intenções dela eram boas, mas não consegui falar muito sobre o assunto. No fim, perguntei-lhe se poderíamos nos concentrar nas coisas divertidas hoje, como a linha de roupas. Eu também queria saber o que ela estava fazendo nos últimos tempos.
Tive a sensação de que Lucy estava se esquivando das minhas perguntas. Levando em conta que também havia coisas que eu estava escondendo, não pareceu certo pressioná-la para que ela me contasse.
Quando Lucy foi embora, dei-lhe um presente. Era apenas uma caixa de morangos cobertos com chocolate, porém ela agiu como se fosse o melhor presente que já tinha ganhado e me deu outro grande abraço.
Algumas horas antes do meu encontro com Nolan, mergulhei na água com perfume de lavanda na banheira. Fiz de tudo para ficar uma gostosa e me arrumei para ele.
Experimentei o vestido mais cedo para ter certeza de que serviria em mim.
Era um vestido colante simples que chegava até meus pés, com uma fenda alta na lateral de uma das pernas.
Parecia ter sido feito sob medida para mim.
NOLAN
Yena estava ainda mais bonita no vestido preto do que Nolan tinha imaginado.
Ele a levou a um novo restaurante no térreo de um grande hotel de luxo perto do Congresso, pois queria surpreendê-la com uma experiência diferente. O restaurante se especializava em culinária internacional.
O príncipe não pensou em tudo, no entanto. Talvez ir à cidade movimentada não fosse a melhor ideia; não enquanto o país inteiro ainda estava obcecado com os supostos problemas de relacionamento dos dois.
No instante em que a limusine estacionou perto da calçada em frente ao hotel, eles foram cercados por paparazzi.
Os guerreiros Gama mantiveram a multidão longe dos dois, mas ainda foi um caos generalizado. Agora, Nolan precisava ficar atento a cada movimento e expressão que fazia.
O príncipe ajudou Yena a descer do carro e deu um suspiro de alívio quando entraram ao restaurante. Ainda assim, todos os funcionários e clientes estavam olhando fixamente para eles, conforme os dois andavam pelo salão de jantar. Por outro lado, pelo menos os repórteres, que gritavam e tiravam fotos, haviam sido impedidos de entrar.
Nolan e Yena foram se sentar em uma sala de jantar privada.
A anfitriã saiu e fechou a cortina, e eles finalmente ficaram a sós de novo.
Yena deu um grande suspiro e comentou: “Nunca vou me acostumar com isso”.
“Nem eu”, respondeu Nolan.
Ela estendeu a mão e acariciou a bochecha e o queixo lisinhos de Nolan. O homem havia se barbeado à tarde, e estava feliz por se livrar daquela barba espessa que havia crescido durante os três dias que passou confinado.
O príncipe sabia que Yena gostava da barba, no entanto.
Ele piscou para ela, que respondou com um sorriso provocador.
Depois, a princesa lhe contou sobre a visita que a amiga Lucy lhe fez e sobre o trabalho com o qual ela o ajudou. Nolan gostava de ouvir a esposa falar sobre seus designs, porque a paixão e a confiança em sua voz a tornavam sexy.
“Só não sei como vamos organizar tudo…”, disse ela. “Sei que tipo de roupa quero desenhar, mas não entendo nada sobre vender."
"Vamos contratar alguém pra gerenciar o negócio", sugeriu ele.
"Ah." Yena pareceu ficar pensativa. "Faz sentido."
"É melhor fazermos isso logo?", perguntou Nolan, “Ou você precisa de mais tempo pra preparar as ideias primeiro?”
"Hum..." Ela tomou um pequeno gole de vinho. “Talvez seja melhor esperarmos mais um pouquinho.”

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