Fiquei esperando por Nolan em nosso quarto, e ele voltou do trabalho à noite.
"Oi", cumprimentou ele em um tom solene, fechando a porta atrás de si.
Em seguida, viu onde eu estava sentada e o que eu estava fazendo.
Eu estava diante da mesinha de jantar da nossa suíte, com os documentos do divórcio cuidadosamente empilhados à minha frente.
Nolan se aproximou com cautela. Ele afrouxou a gravata e tirou o paletó enquanto caminhava, tudo sem tirar os olhos da pilha de papéis.
"Decidi que... vou aceitar a proposta", falei.
Eu não conseguia olhar nos olhos dele enquanto dizia essa frase, pois não queria que ele visse o quanto eu estava sofrendo.
Era a única coisa que me permitia aguentar tudo isso: ter que dizer essas palavras horríveis e fazer uma coisa pior ainda.
"Já assinei tudo", continuei. "Tenho certeza de que li o documento inteiro. Demorei bastante prra ler todas essas páginas, mas consegui."
Ouvir a mim mesma dizendo isso foi esquisito. Minha voz parecia completamente vazia de emoção.
Acho que meus sentimentos acabaram. Chorei tanto que não sobrou nada, apenas a exaustão e uma sensação de vazio.
Meus olhos ainda estavam quentes e coçavam por causa do inchaço de ter chorado tanto. Ainda assim, resisti ao impulso de coçá-los, porque só ficariam piores.
E eu também não queria que ele visse minha dor.
Era provável que pudesse senti-la, mesmo que só um pouco. Mas eu não precisava mostrar o quando ele havia me machucado.
Nolan estava na minha frente, segurando o encosto de uma cadeira com ambas as mãos. Eu ainda não conseguia olhar para a cara dele, porém a forma como apertava a cadeira me indicava que não estava sendo fácil para ele também.
O príncipe puxou a cadeira e se sentou de frente para mim. Contudo, continuou calado.
"Não sei o que fazer depois disso", acrescentei.
Eu só estava tentando romper esse silêncio tenso.
"Acho que... A partir de agora, depende de você." Empurrei lentamente a pilha de papéis para ele.
Nolan, no entanto, não se mexeu. Ele continuou parado ali como se fosse uma estátua.
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NOLAN
Ele soube que Yena havia preenchido os documentos do divórcio no momento em que a viu sentada ali, com a pilha de papéis sobre a mesa.
Os ombros dela, que costumavam demonstrar sua confiança, estavam caídos, e ela olhava para baixo de forma a evitar contato visual.
Nolan a ouviu dizer: "Assinei os documentos..."
Ela disse outras coisas, mas, depois disso, foi como se o volume do mundo tivesse abaixado, ou como se tivessem enfiado algodões nos ouvidos dele.
As bordas da visão dele escureceram, e ele sentiu uma pressão interna, indicando-lhe que estava prestes a desmaiar.
O príncipe segurou o encosto de uma cadeira e ficou apoiado ali para que não desmaiasse. Aí, de alguma forma, conseguiu sentar-se. Seus joelhos tremiam e estavam sem forças.
Ele esperava que ela não tivesse percebido.
Nolan fechou os olhos.
Ele começou a se sentir sem fôlego.
O príncipe tentou a estratégia de sempre: inspirar lentamente pelo nariz e depois expirar pela boca.
Não funcionou como costumava. Ele ainda se sentia sem ar. Era como se não houvesse oxigênio no quarto.
O coração dele estava batendo devagar no início, depois acelerou e começou a martelar. Ele sentia um aperto no peito, junto de uma dor aguda bem perto do coração.
'Eu sei que sentimento é esse', pensou ele.
O príncipe estava de coração partido.
Yena empurrou a pilha de documentos para ele, dizendo-lhe alguma coisa sobre ele precisar decidir o que fazer.
Nolan olhou para baixo e viu a assinatura dela na primeira página, escrita em uma tinta preta brilhante.
Era a primeira vez que prestava atenção na assinatura dela.
Sua caligrafia era suave e fazia lindas curvas.
Era evidente que teria uma letra bonita; a garota era uma artista, afinal.
Tudo o que ela fazia com as mãos saía perfeito.
Nolan tentou olhar nos olhos de Yena, porém ela não ergueu o rosto, somente continuou a olhar para baixo.
Depois de empurrar os documentos para ele, ela estava encarando o próprio colo, onde havia apoiado as mãos cruzadas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa quer se casar comigo!?