"Pois não vou permitir", afirmou a Luna. "Sem chance. O que você estava pensando, Nolan?"
A rainha estava furiosa andando pelo cômodo, com os braços cruzados na frente do peito. Ela não havia alterado o volume da voz, mas estava falando em um tom que não permitia discussão.
"Você não pode fazer isso!"
A Luna parou ao lado da mesa e olhou de novo para os documentos do divórcio. Então, estendeu a mão e tamborilou com os dedos, ansiosa, no topo da espessa pilha de papéis.
Por fim, com um movimento rápido e furioso, bateu neles. Os papéis se espalharam pelo chão, e outras folhas foram lançadas para o ar, depois caíram lentamente por alguns segundos.
Nolan desistiu de tentar parecer que ainda estava calmo.
Ele cobriu o rosto com as mãos e esfregou os olhos cansados.
"Diga-me o que você estava pensando", ordenou a Luna, com os dentes cerrados. "Diga-me o que estava passando pela sua cabeça quando você mandou redigirem o contrato."
Nolan não tirou as mãos do rosto e respondeu em voz baixa.
"Eu pensei que ela fosse recusar o divórcio."
"Você entregou para ela os documentos e pediu um divórcio" A rainha enfatizou cada palavra e falou lentamente, como se estivesse conversando com uma criança. "O que você esperava que ela fosse concluir, Nolan?"
Ele olhou para a mãe. "Achei que ela fosse me agradecer e perceber que tô disposto a sacrificar minha própria felicidade pra realizar os sonhos dela. Pensei que isso fosse fazer ela querer ficar."
A Luna voltou a andar pelo cômodo, murmurando algo para si mesma que o príncipe não conseguia ouvir.
"Sei que não faz nenhuma diferença dizer isso...", disse Nolan para a mãe, que estava de costas e andava na outra direção. "Mas peço desculpas."
Ela deu uma risada seca e sarcástica. "Desculpas?"
Em seguida, virou-se de volta para ele e o encarou do outro lado do cômodo.
"Se deixar as coisas terminarem assim, Nolan, acabou para você. Esse vai ser o seu fim. Sugiro que resolva a situação logo."
"Como? O que posso fazer agora? Ela já assinou os papéis."
"Queima essa p*rra de contrato!", berrou a Luna, assustando-o. Fazia muitos, muitos anos que ele não via a mãe perder a calma desse jeito a ponto de falar palavrões.
"Pede desculpas a Yena", continuou ela. "Pede pra ela te aceitar de volta, custe o que custar. Se tiver que implorar, que seja."
Nolan abaixou a cabeça.
"Filho, não deixa o orgulho te paralisar agora. Não em um momento tão crítico. Isso..."
Ela apontou para os papéis espalhados pelo chão.
"Isso aqui não pode acontecer, Nolan. Jamais. Conserta a situação."
"Não acho que consigo, mãe. Yena quer ir embora, e eu amo ela demais pra forçar ela a ficar."
A rainha lançou-lhe um olhar intenso e furioso que quase perfurou o príncipe. Suas pupilas negras estavam tão dilatadas que os olhos dela pareciam ter ficado completamente pretos.
Porém, assim que ela o ouviu falar sobre o amor que sentia pela garota, ele percebeu uma certa empatia nos olhos dela.
A rainha até se virou outra vez e andou até a janela, onde ficou encarando a floresta escura.
"Você quer que Adan assuma o trono que é seu por direito, Nolan?"
A voz dela havia voltado a soar calma, mas ele sabia que ela ainda estava brava.
"Você vai deixá-lo te matar? Ou então planeja se curvar perante ele?"
"Nunca", respondeu Nolan com firmeza, endireitando a postura.
A Luna se virou para ele novamente.
"Então reconquiste o coração de Yena. Porque é assim que você vai acabar se não fizer isso."
Nolan continuou paralisado ali, sem uma resposta para a mãe.
"E quanto a seu pai", acrescentou ela, "Ele não vai permitir um divórcio, nem vai ficar muito feliz quando souber o que você fez."
De alguma forma, o príncipe não havia parado para pensar nisso.
Ele ficou com o estômago embrulhado ao imaginar a reação do rei.
Foi nesse momento que mais se sentiu arrependido.
A aposta que havia feito tinha sido terrível. Nolan apostou no amor que Yena nutria por ele...
E perdeu.
Não só Yena...
Mas talvez tudo que ele estava trabalhando para evitar.
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ADAN
Lucy desceu os degraus da casa dela, dando um sorriso radiante.
Adan estava achando cada vez mais difícil se forçar a sorrir para a garota toda vez que ela sorria para ele.

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