NARRADORA
Por trás de grades, magia poderosa, selos e correntes, além da Ilha das Selenias e da névoa sombria, cruzando as nuvens de tempestade e os gritos espectrais, uma civilização inteira havia sobrevivido.
Uma que se acreditava extinta.
Baltazar, o Regente do Reino, estava em plena reunião com seus conselheiros quando as portas do salão foram abertas de repente, e um dos guardas entrou ofegante, com o rosto tomado pelo pânico.
—Espero que o que você tenha a dizer seja realmente uma questão de vida ou morte —ele disse friamente, seus olhos castanhos afiados fixos no homem.
—S-Sua… sua senhoria… Recebemos vários relatórios das fronteiras do reino… —O homem tentava explicar, gaguejando e suando.
—Fale de uma vez, maldito!
—A névoa… A névoa dos limites… Ela está recuando! —O guarda soltou a frase de uma vez, o suor escorrendo pelo rosto.
Baltazar entendeu imediatamente a gravidade do que estava acontecendo.
Saiu correndo e empurrou com força as pesadas portas da sacada.
Seus olhos experientes observaram o céu: as densas nuvens escuras, que costumavam bloquear qualquer luz, estavam se movendo rapidamente em uma direção.
O vento uivava impetuoso, e ao longe os trovões rugiam, misturados a sussurros no ar.
Ele se lembrou do sonho que tivera dias atrás…
O Rei o havia chamado.
Pensou que fosse apenas imaginação, um eco de sua própria consciência.
Durante milênios, sabiam que tinham um Rei.
Eles mesmos o haviam escolhido, alguém que os mantinha seguros do perigo… das criaturas sobrenaturais.
Seres horríveis, diferentes, indesejáveis.
Não havia lugar para eles na sociedade que haviam construído durante tantos séculos, evoluindo de uma simples vila de elementais nas montanhas até se tornarem um reino poderoso.
—General! —Baltazar chamou, adentrando a sala com a túnica vermelha de bordados dourados brilhando sobre a penumbra que reinava naquelas terras.
—Prepare o exército! Estamos em alerta máximo! Proteja os civis! Notifique todos os ducados e suas tropas, cada canto do reino! —Ele começou a ditar ordens com autoridade.
Esse era o seu dever: representar a vontade de seu Rei.
Para eles, o Rei era a máxima divindade.
—Senhor… —O general hesitou—. Posso saber exatamente o que está acontecendo?
Baltazar respondeu sem desviar o olhar do céu:
—O Reino Elemental está prestes a entrar em guerra. Sua Majestade está se preparando para atravessar a barreira.
O silêncio que se seguiu foi sufocante.
O medo do desconhecido pesava no ar.
Muito acima deles, no coração do turbilhão escuro e sombrio de correntes furiosas, uma figura começou a tomar forma.
Entre a escuridão espessa, olhos dourados se abriram lentamente.
A fúria era tão viva quanto milênios atrás.
Ele havia sobrevivido, é claro que sim.
O ódio em seu coração era grande demais. Nenhuma Deusa determinaria o seu destino.
Ele seria o seu próprio Deus.
As pupilas douradas se estreitaram, confusas.
Havia algo…
Um nome ecoava repetidamente em sua mente.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...