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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 405

KATHERINE

Então eu fiz. Tomando uma respiração profunda, agarrei a borla com a mão e puxei a corda para baixo.

Track track track!

— Ai! — soltei um grito e pulei para trás, assustada, quando uma escada de mão antiga caiu do teto com um barulho estrondoso.

Uma nuvem de poeira logo inundou o corredor, e comecei a tossir quase até sufocar, abanando a mão para dissipar um pouco o ar carregado.

Finalmente, consegui focar nas alturas, onde um buraco escuro havia se aberto.

Dava um arrepio na espinha, como se a qualquer momento olhos pudessem me espreitar das trevas.

Baixei o olhar para a escada suspensa à minha frente. Os degraus estavam desgastados, e cupins se espalhavam corroendo a madeira.

Mesmo assim, aquele instinto me impulsionava a explorar, como quando segui Francis; uma magia poderosa puxava minha alma.

Decidi correr o último risco e subir.

Coloquei as mãos nos suportes laterais com certo nojo, levantei o pé e me certifiquei de não cair logo no primeiro degrau.

Comecei a subir, pouco a pouco, assustada pelos gemidos da madeira meio apodrecida. O cheiro de decadência e umidade me sufocava e ficava pior à medida que eu subia para o que parecia ser um sótão.

Era comum nas grandes mansões ter um espaço para guardar tralhas velhas.

— Cof, cof, cof... — tossi, estendendo uma mão para me apoiar e superar o último trecho.

Minha cabeça e parte do torso emergiram do chão daquele cômodo lúgubre.

Apoiei-me nos cotovelos e me impulsionei para cima, ficando de pé sobre o chão empoeirado.

— Aff, mais sujeira... — resmunguei irritada, batendo nas coxas e nos braços cobertos de fuligem e pó.

Então foquei nos arredores.

Como suspeitei, um sótão cheio de caixas e móveis cobertos.

Comecei a explorá-lo, sentindo uma inquietação crescente.

Ouvi ruídos estranhos de algo sendo arrastado, patinhas correndo. Nos cantos, os ratos se moviam como sombras pelo chão, causando arrepios por toda a minha pele.

Eu odiava ratos, principalmente porque já tive que disputar com eles por um pedaço de pão velho no sanatório.

Meus olhos foram se acostumando à escuridão, mas percebi que havia uma leve luz mais adiante e me aprofundei naquele labirinto de recordações e objetos abandonados.

Muitos deles eu conhecia, eram móveis da nossa antiga casa no campo.

Papai parece ter transferido algumas coisas para cá.

Um chiado abrupto e algo vindo em alta velocidade atrás de mim me fez me abaixar, gritando e cobrindo a cabeça.

Passei a mão pelas prateleiras de madeira, me surpreendendo por não haver poeira, provavelmente porque as portas estavam fechadas protegendo o interior.

O que eu estava procurando exatamente?

Abaixei-me para verificar os compartimentos inferiores, nada, apenas algumas roupas em farrapos.

Então, um reflexo me fez piscar.

Ajoelhada, levantei o olhar e, na altura dos meus olhos, no painel do fundo, algo brilhou: um ponto de luz repentina, como uma última centelha chamando minha atenção antes de se apagar.

Coloquei a mão lá dentro, um pouco hesitante, e comecei a tatear.

— Ah! — retirei os dedos rapidamente quando algo muito afiado perfurou minha pele.

Olhei imediatamente para minha mão, onde um fio de sangue escorria.

Mal isso aconteceu e ouvi claramente um mecanismo sendo acionado.

No fundo do armário, um painel de madeira deslizou para o lado, revelando um pequeno compartimento oculto.

— Que mistério é esse, pelo amor de Deus? — me inclinei para olhar mais de perto.

Havia algo guardado lá no fundo, dava para ver uma silhueta escura.

Eu hesitava sobre o que fazer, até que finalmente tomei uma decisão.

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