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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 551

NARRADORA

Então Lavinia se lembrou do momento em que a mão do Rei pegou a taça que tinha sido servida por aquela mesma criada durante o jantar.

Será que ele a salvou da armadilha da beta?

Foi por isso que puniu aquela mulher que queria prejudicá-la?

Era óbvio que havia uma mão manipuladora por trás de todas aquelas confusões.

De repente, um rosnado distorcido ecoou por trás do véu do Rei, calando a boca de todos.

As risadas, zombarias e gritos cessaram de uma vez.

Um dos sacerdotes correu até a borda da cortina, estendeu as mãos por uma pequena abertura e recebeu um edito real.

Virou-se ali mesmo na plataforma para lê-lo.

— Por decreto do Rei Lobo, devido ao seu comportamento indecente e enganoso, a fêmea Vera Lous é entregue ao sacerdote encarregado, Visconzuelo! A criada está expulsa da matilha e o moço dos estábulos receberá uma recompensa da matilha de Vera Lous por danos e prejuízos!

Enrico estava em choque.

Só tinha dito a verdade, e agora ainda iam pagar mais dinheiro por ter passado a noite transando com aquela mulher linda e maluca.

A criada, por sua vez, ficou pálida, mas era melhor perder a casa do que a cabeça.

Ela ainda se lembrava claramente do momento em que realmente entregou a taça com afrodisíaco para Rosemarie, mas daí em diante, sua mente ficou confusa, como se fosse uma marionete obedecendo às ordens de outra pessoa.

Até lembrar o que disse hoje parecia irreal demais!

— NÃO, NÃO! — Vera gritou como uma louca, libertando-se de repente do feitiço e percebendo a cagada que tinha feito.

— Agradeço a sua majestade por este presente — disse o sacerdote que ela havia desafiado, curvando-se diante do trono e depois olhando para ela com olhos cheios de malícia.

Vera tremeu dos pés à cabeça e depois olhou para sua gente nas arquibancadas.

— Me salvem, por favor! Digam ao meu pai para me tirar daqui!

Mas os membros da sua matilha viram tudo e sabiam que não havia salvação para Vera.

Ela nem era a herdeira da matilha. Seu pai jamais enfrentaria o Rei por causa dela.

A beta gritava, tentando se soltar, mas foi arrastada pelos guardas para fora da arena, encerrando o show.

Assim que pisou fora do palco, as mãos calejadas e enrugadas do sacerdote apertaram suas bochechas como se fosse uma toranja.

— Vamos ver agora o quão desafiadora você é — as lágrimas de Vera escorriam sem parar, entendendo a calamidade que ela mesma provocou.

— Vai me mostrar tudo o que fez com “sua majestade” ontem à noite... tudo e mais um pouco... — sussurrou no ouvido dela como um tarado, e depois se afastou com um sorriso lascivo.

— Levem-na aos meus aposentos e acorrentem-na!

Os guardas a arrastaram entre súplicas e choros.

A cabeça de Vera se virou um instante em direção ao palco e seus olhos embaçados encontraram os de “Rosemarie”.

Não era pra ter acontecido assim.

Aquela mulher é que deveria estar sendo humilhada agora!

Percebeu com dor e arrependimento que, no fim das contas, aquela fêmea era mesmo a favorita de sua majestade.

*****

Depois de tanto escândalo e drama, Lavinia recebeu outra dose do frasquinho da discórdia e se perguntou o que o Rei estava tramando.

Eu não conseguia controlar a magia do Rei que tomava conta dos meus músculos, ossos, articulações...

Caí de quatro no chão duro, enxergando tudo embaçado, sentindo algo mudar; ouvi o som de roupas rasgando e percebi que vinha do meu próprio corpo.

“Mas que inferno?!”

Minha visão estava diferente, mais aguçada.

Vi minhas mãos virarem garras, minha pele queimava e uma pelagem negra e densa apareceu no meu corpo... de loba.

Isso mesmo, fui transformada por magia numa loba negra linda — algo que nunca imaginei que conseguiria fazer.

Isso foi obra da magia do Rei. Dei um passo desajeitado à frente, levantei o focinho e usei minha nova visão aprimorada.

Mas nada me preparou para o que vi a seguir.

O véu se moveu com violência, como se uma mão invisível o tivesse rasgado.

Nuvens escuras dançavam sobre a arena e, do camarote do monarca, saltou a enorme sombra de um lobo, banhado em névoa e escuridão.

Suas patas levantaram poeira ao cair na minha frente, me desafiando abertamente.

Circulava devagar, cada vez mais perto dessa nova forma que eu nem sabia como controlar.

Mas o mais impactante eram os olhos dele — faziam meu coração bater como mil tambores dentro do peito.

Olhos dourados intensos, como o sol, e eu só tinha visto orbes tão lindos em uma única pessoa na vida.

Na primeira vez, tive dúvidas... mas agora, nessa segunda prova, eu teria que ser muito burra.

Antes que eu reagisse, o lobo do Rei pulou em cima de mim.

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