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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 584

NYX

—Aaahh!

Um grito me fez despertar de repente, esticando as costas enquanto eu estava sentada num canto escuro.

Pra falar a verdade, já estava na hora de sair do meu esconderijo.

—O que foi, Mora? Ssshh... abaixa a voz... o príncipe hoje tá de péssimo humor —ouvi duas criadas entrando no depósito.

—Parece que tem ratos, encontrei uns cabinhos de fruta —torci a boca.

Obviamente, o rato clandestino era eu mesma.

O pior é que elas saíram correndo dizendo que iam chamar os guardas.

Era a hora de sair.

—Maldita seja —rosnei ao ver que a porta de saída estava trancada.

Olhei em volta.

Era um porão, então não havia janelas numa inspeção rápida.

Caminhei depressa até uma lareira no canto.

Espiei pelo buraco, olhando pra cima.

Levava pra outro cômodo ou talvez pro lado de fora.

—Venham verificar e não deixem escapar nem uma!

Os passos se aproximavam, seguidos de vozes agitadas.

Convoquei minha magia e flui como névoa pela passagem estreita da chaminé, subindo pra um lugar desconhecido.

A viagem violenta pelo portal tinha drenado quase toda minha energia.

Estava tentando me recuperar nesses últimos dias, mas fui ferida por dentro, e tudo tava lento demais.

O cheiro de fuligem e a escuridão me sufocavam.

Vi uma luz mais acima, a saída pra algum cômodo, e me enfiei pelos dutos que aqueciam aquele lugar frio.

—Cof, cof —tossi baixo ao cair no chão de um salão.

Olhei em volta na mesma hora. Não tinha ninguém.

Era só uma antessala linda, parecia ser parte dos aposentos de uma mulher.

Com o ouvido atento e tirando um pouco da fuligem, entrei no quarto.

Era lindo. Cada móvel, cada divã, tudo escolhido com carinho.

Os livros na estante sem nem um fiapinho de pó.

Fui baixando a guarda.

Os olhos da mulher se abriram, brilhando em roxo, e a mão dela saiu do gelo pra agarrar a minha.

—Me solta! —lutei, tentando me afastar, mas não era meu corpo que ela prendeu... era meu espírito mágico.

Assim como minha mãe Sigrid, eu podia entrar no corpo de outras pessoas e controlá-las. Mas dessa vez... quem foi controlada fui eu.

Conhecia bem essa sensação.

Ouvi o som abafado do meu corpo físico caindo ao lado da cama, enquanto meu espírito se enfiava no corpo da feiticeira.

Ela podia parecer moribunda, mas ainda tinha poder.

"O que você quer de mim? Por que me prendeu dentro do seu corpo?"

Me vi parada num mundo cheio de sombras escuras e relâmpagos.

Era o espaço interior dela.

"Desculpa por ter feito isso com você... de verdade, eu tô... desesperada..."

Ela estava de pé na minha frente, me olhando com um sorriso fraco, envergonhada.

Quis ser hostil.

Sentia que ela me mantinha presa, eu podia forçá-la... mas o rosto pálido e a sensação de fragilidade que ela passava me fizeram parar.

No fim, ouvi da boca dela a proposta mais absurda que alguém já me fez.

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