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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 616

NYX

—O que você tem a ver com essa maldita coisa?! —ele se sentou de repente, me puxando para o colo.

Seus dedos agarraram minhas bochechas, me examinando de perto.

—Você é descendente daquela bruxa Drusilla?

—O QUÊ?! —afastei sua mão bruscamente, tentando me levantar, mas ele me segurou firme.

De qual Drusilla ele estava falando? Pela Deusa, a única Drusilla que conheço é da família De la Croix!

—Conseguiram quebrar meu feitiço de gelo?! É por isso que seu poder evoluiu?… Continuaram roubando daquela maldita magia?! —ele começou a me acusar de tudo quanto era coisa que eu não entendia.

De repente, fiquei furiosa. Pelo que ele dizia, parecia que eu tinha vindo ao reino dele com intenções escondidas.

—E se eu te dissesse que tenho sim relação com Drusilla?! —me levantei de um pulo, o empurrando.

Chamei a névoa para me vestir. Eu odiava me sentir tão vulnerável diante dele.

Seus olhos azuis brilharam de onde estava sentado.

Toda a sedução de antes desapareceu.

—Me diga, príncipe, o que vai fazer comigo agora? Vamos lutar? —o desafiei com o coração apertado, expulsando sua energia do meu corpo. Mas Theo se recusava a ir embora.

Parece que passou uma vida inteira até Aidan abaixar a cabeça, apertar o nariz com os dedos e suspirar.

—Você sabe que eu não vou te fazer nada… não vou lutar com você, mesmo que venha arrancar meu coração.

Ele disse isso se jogando na grama, cobrindo os olhos com o braço. Meu peito traidor pulsava, todo emocionado.

Esse macho tinha o dom de mexer com meus sentimentos, me levando de um extremo ao outro num segundo.

Tipo quando minha mãe brigava com meu pai e num piscar de olhos os víamos se beijando feito loucos.

—Se estamos falando da mesma Drusilla, uma feiticeira bem filha da puta, então pode ficar tranquilo… não tenho nada a ver com essa mulher —falei baixinho, lutando para desviar os olhos do corpo nu dele.

—Na verdade, eu odiava minha família. Achava que estavam mortos… —falei, voltando a me sentar.

Ele também se ergueu, e ficamos de frente um pro outro.

—Ela disse que se chamava Drusilla De la Croix —ele confirmou, e eu expliquei que era a mesma pessoa.

Quando ele contou entre dentes como tudo tinha sido de verdade… eu não conseguia acreditar.

Que tipo de coincidência macabra era essa?

Mais uma vez, fui invadida pela tristeza, pela injustiça com Isabella.

Como Aidan deve ter se sentido naquele momento?

Culpa e arrependimentos escavando a alma dele por todos esses anos.

—Você devia ter matado ela, Aidan —sussurrei, abaixando a cabeça pra esconder meus próprios sentimentos.

—Ela te enganou até o fim. Te garanto que os lycans não dominavam magia. Drusilla era quem sugava o poder e entregava para… para… enfim, aquele homem.

A menção ao filho de Víktor trouxe tempestades aos olhos do príncipe. Aquela besta tirou Isabella dele.

Pelo que calculei, Drusilla e aquele lycan ficaram juntos por séculos, se não milênios, vivendo de sugar aquele poder proibido.

Além disso, o tempo entre os espaços paralelos não parecia correr da mesma forma.

—Minha família não é desse tipo de gente. Não precisamos roubar a magia de ninguém —afirmei, olhando direto nos olhos dele.

—Se encontraram o “Coração da Fera”, deve ter sido por algum motivo, talvez… —fiquei pensando na possibilidade mais lógica.

—Meus irmãos ou as meninas caíram nessas terras —já tinha explicado pra ele como cheguei nesse continente.

—Descobriram a ligação com você de algum jeito, talvez tenham capturado Drusilla ainda viva…

—Eu devia ter matado aquela desgraçada —o ódio saía pelos poros dele, e eu o entendia completamente.

De la Croix era como uma praga.

Então se abriu outra possibilidade que eu não tinha pensado.

—Eu sei que é doloroso pra você, não te peço que venha comigo, mas… pode abrir o portal que leva pra esse lugar?

—Não —ele respondeu sem hesitar.

Seu olhar frio atravessou os meus olhos sérios.

—Aidan…

—Não vou te expor àquelas terras malditas. Não sei se conseguiram burlar meu feitiço de gelo…

—Minha família pode me proteger. EU posso me proteger!

—NÃO VOU TE PERDER TAMBÉM! ENTENDEU?! —ele se levantou de repente, me segurando pelos ombros.

—Então, onde fica a entrada desse lugar? Aidan, eu juro, nada vai me acontecer. Confia em mim —dessa vez fui eu quem acariciou o rosto tenso dele.

Vi a rendição nos olhos celestes dele.

—Encontramos enquanto explorávamos umas montanhas no continente dos homens-bestas. Mas vai ser difícil acessar… eu destruí e bloqueei a entrada da caverna.

Examinei a expressão dele procurando mentiras, mas ele não desviou o olhar.

Estava dizendo a verdade. Talvez por isso minha família também teve dificuldade de chegar aqui do outro lado.

Mas do mesmo jeito que eu cheguei a esse reino através de um portal especial, a magia podia rasgar o véu entre os mundos.

—Então, agora mais do que nunca eu preciso encontrar o “Coração da Fera” —falei decidida—. Aidan, onde estão os fragmentos?

Ele abriu a boca pra me contar, mas nesse instante, os arbustos ao nosso redor se mexeram.

Nos viramos em alerta e vimos seis olhinhos nos encarando no escuro.

—Ferozinha? —Assim que falei, ela saiu correndo e choramingando do meio do mato.

Era a filhotinha que eu tinha trazido ao mundo.

Ela se aproximou com uma expressão alarmada, ansiosa, as patas arranhando a terra, e pulou em mim puxando minha roupa.

—O que houve? Onde está sua mãe? —olhei para a borda da floresta.

—Ela veio te buscar por isso. Estão atacando a mãe Drakmor —Aidan falou, se levantando num pulo.

Será que… eu estava entendendo o que esses bichos diziam?

Nem tive tempo de me chocar, porque uma névoa branca começou a sair do corpo sexy dele.

A temperatura caiu tanto que me arrepiou, e em segundos, roupas brancas se formaram do nada sobre a pele dele.

—Tenho que admitir que você me dá ideias boas pra uns truques —ele disse, bufando na minha cara espantada.

—Vamos —ele segurou minha mão e começamos a correr pela floresta, seguindo a filhotinha Drakmor.

Ela era rápida, mas nós também.

Depois de uns quinze minutos, meus ouvidos captaram os rugidos de uma luta brutal, e meus olhos se fixaram na cena no claro à nossa frente.

Duas montanhas de escamas negras e dentes enormes lutando até a morte.

Duas fêmeas Drakmor, e uma delas, enfraquecida pelo parto, estava prestes a ser morta pelas mandíbulas da outra.

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