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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 648

NARRADORA

Entre as chamas do fogo mágico e a fumaça dos pequenos focos de incêndio, Edgar o viu.

Aquele vampiro estava calmo demais, como se estivesse apenas dando um passeio.

Ele moveu a mão como quem espanta uma mosca, e a névoa branca se abriu ao meio, liberando o caminho.

— Último aviso! Ou você para, ou será executado!

O general feiticeiro gritava à frente de seus homens, defendendo aquele pedaço de terra.

Mas Edgar percebeu o quão tolo tinha sido, achando que estaria salvo por ter alcançado aquele ponto de controle.

Ele se lembrava do exército que Victoria criou do nada — onde só havia poeira e ossos, ela moldou soldados.

Então, o que aquele homem não seria capaz de fazer, se parecia ser a própria fonte de todo o poder?

— Ataquem com feitiços supressores!

Edgar começou a recuar, desejando fugir, se afundando nas sombras das árvores.

Mas então a terra começou a tremer, parecia um terremoto, e antes que qualquer feitiço encostasse no vampiro vestido de preto, uivos arrepiantes rugiram do desfiladeiro.

Mãos agarraram a beirada de terra, machados enferrujados se cravaram, garras empurraram os corpos robustos e invencíveis que surgiam da névoa escura, do fundo do abismo.

— Mantenham suas posições!

— Pela Deusa, o que são essas coisas?!

— Aquele maldito vampiro trouxe a desgraça!

— Lutem por suas vidas!

Com gritos de guerra, os dois lados colidiram.

De repente, não era mais cem contra um.

A balança havia virado e os mortos-vivos devastavam aqueles feiticeiros de quinta como uma praga.

Faíscas de magia saltavam por todos os lados, sangue, gritos, braços e cabeças voando — e no meio de todo aquele caos, Zarek avançava sem parar.

Sua túnica longa esvoaçava com a noite, assim como seus cabelos de ébano brilhante.

Suas botas firmes pisavam sobre os corpos dos caídos.

Ele era o maestro dessa sinfonia macabra.

Esse era o seu mundo. Ele era o príncipe da calamidade e da morte.

Onde os outros viam ruína, ele via vida.

Edgar contemplava a mesma imagem que nunca tinha saído de sua mente.

Se Victoria já parecia incrivelmente assustadora, caminhando com um sorriso no meio da chacina, este homem era, sem dúvida, a origem do mal.

Algo quente e nojento escorreu pela perna da calça, e suas pernas recusavam-se a se mover.

*****

Cerca de quinze minutos depois, Zarek caminhava observando ao longe a cidade dos feiticeiros e o palácio suntuoso sobre a colina.

Que dormissem em paz aquela noite, porque amanhã saberiam que a ordem das coisas tinha mudado.

Quase morto, o que restava de Edgar era arrastado pela floresta atrás da cidade.

Chegaram a uma caverna com uma entrada estreita e escura.

— Ei, a gente combinou que um dos testículos era meu!

— Silêncio — Zarek mandou calar a algazarra atrás dele.

Os soldados mortos-vivos eram ferozes, mas ele se lembrava por que também aguentava as criações femininas.

Elas eram mais cruéis e criativas nas torturas do que os machos.

Zarek invocou sua magia e seu corpo se transformou em um morcego, voando pelos túneis e passagens estreitas.

Ele podia sentir… o fluxo de uma energia remanescente.

Chegou ao final da caverna onde havia uma parede bloqueada por pedras.

Materializou-se em frente a ela e estendeu a mão, tentando misturar sua magia selênica com a brita e a terra do desmoronamento.

— Maldição! — rosnou entre os dentes cerrados.

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