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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 676

VICTORIA

Marius deu outra bronca nela. Eu já estava ficando meio cansada dos chiliques dela.

—O que você quer que eu diga?! Que agradeço à Deusa por ter dado poder àqueles cachorros pra nos destruírem, nos escravizarem, nos jogarem nessas pocilgas?!

Ela gritou, levantando do banquinho que caiu com estrondo.

Por mais que Marius tentasse acalmá-la, saiu correndo e chorando.

O silêncio desconfortável dominou o lugar.

—Desculpa por isso… ela só é mais sincera e fala o que todos pensamos —ele disse, envergonhado.

—O que está acontecendo entre vocês e os lobisomens?

—Você realmente não sabe de nada? —o tal Edgar me perguntou, e balancei a cabeça.

—Bom, eu vim de outro lugar —respondi, sem enrolar.

Foi assim que fiquei sabendo da situação desse reino, dividido entre duas grandes forças: os lobisomens e os vampiros.

—E por que tratam vocês assim? Só porque podem?

Perguntei a Marius, e ele me lançou um olhar difícil. Depois vi que trocou olhares com os outros.

Tanto mistério pra quê?

—Bem… desde o início havia um equilíbrio, mas os lobisomens conseguiram de alguma forma um objeto mágico muito poderoso. Alguns deles viraram bestas andando em duas patas com cabeça de lobo.

Lycans. Evoluíram pra lycans. Como uma evolução assim era possível?

Pelo que contaram, o feudo era dividido entre essas duas forças.

Eles se odiavam, mas conviviam.

Existem outros feudos espalhados por esse vasto continente.

Alguns já foram tomados pelos lobos, outros ainda governados pelos últimos vampiros livres.

Mas esse aqui era a capital, e desde que os lobos a dominaram, a balança pendeu pro lado deles.

—Mas eles não fazem magia. Eu sinto um feitiço no ar —comentei.

Precisava entender isso bem, pra descobrir como quebrar o encantamento e usar meus poderes.

—As bruxas são raríssimas, e o Lorde mantém elas presas, obrigando-as a trabalhar pra ele. São elas que tecem esse feitiço em volta da capital —Edgar explicou.

Entre um relato e outro, entendi o essencial.

Os lobisomens aqui eram uns filhos da puta. E o pior de todos era o chefão deles.

*****

—Como eu posso ajudar vocês? Porque sejamos sinceros, você me trouxe até aqui por algum motivo, né?

Quando todo mundo foi dormir em seus cantos, ficaram só Marius, Edgar, Rousse e eu.

—Victoria, eu não…

Marius me chamou pelo nome, já tínhamos nos apresentado.

—Vamos falar sério, Marius. Eu preciso encontrar um jeito de voltar pra casa. Então vamos direto ao ponto.

Olhei pra ele com a mesma intensidade que meu pai usava sempre que queria me intimidar.

Ele suspirou depois de um tempo.

—Confesso que te vi tão forte… Todos nós somos considerados rebeldes. Fazemos o que dá, mas tem recompensa pelas nossas cabeças.

Fiquei chocada.

Mantinham os vampiros à beira de morrer de fome, fracos sem sangue.

Mas bastava passar os muros da cidade, na matilha da Selva Selvagem, pra ver fartura.

A matilha daquele maldito Lorde.

Vi tanta injustiça que comecei a simpatizar com o meu povo.

Me envolvi mais com a causa deles. Em levar comida pros velhos, pras crianças, pras mulheres.

As palavras de vingança do Marius entravam nos meus ouvidos, enfeitiçando minha mente sonhadora.

Mas era perigoso demais entrar no território daqueles cães raivosos e sair sem pagar o preço.

E um dia eu quase vi o Marius morrer na minha frente.

*****

—Rápido, abram caminho!

Gritei puxando a cortina, enquanto o Rousse trazia o vampiro nos braços.

Saímos daquela situação por um fio.

Marius estava com o pescoço enrolado num pano improvisado.

Quase degolaram ele.

—Marius! O que aconteceu?! —Sophie saiu do meio da galera que me ajudava a deitá-lo no catre velho.

—A culpa é sua! Desde que chegou aqui, a gente tá correndo mais riscos com esse seu papo de heroína! Se acontecer alguma coisa com ele…!

Gritou feito uma louca e se jogou em cima de mim, me pegando desprevenida.

Com os caninos pra fora e as garras vindo direto pro meu rosto.

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