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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 708

VICTORIA

Quando saí do quarto, ele estava me esperando, encostado na parede.

— Estou pronta… senhor — murmurei entre os dentes.

— Vamos, então — respondeu, e sem me dar tempo pra nada, sua mão enorme se fechou na minha.

Meu coração traidor deu um pulo.

Admito que não esperava que me levasse ao seu lado.

Isso era impróprio por todos os lados, ainda mais sendo ele o dono dessas terras.

Quando descemos até a entrada, o estalajadeiro já nos esperava, e seus olhos desceram até nossas mãos entrelaçadas.

Mas, homem sábio que era, não disse uma palavra sobre isso.

— Vossa Senhoria, aqui está a capa que encomendou na loja — entregou-lhe uma linda capa vermelha de pele macia.

— Ótimo. A conta já foi paga. Vamos embora.

O homem se derreteu em elogios enquanto saíamos em direção ao estábulo.

No entanto, seu rosto deixava bem claro o alívio por se livrar do chefe mal-humorado.

Na parte de trás, o rapaz já nos trazia um belo cavalo negro.

— Vem, vou colocar sua capa.

Draco parou na minha frente e, de forma íntima, colocou a capa cara sobre meus ombros.

Inclinou-se sobre meu peito, franzindo a testa enquanto lutava pra amarrá-la direito.

Minha mão coçava pra acariciar seu cabelo claro, mas me contive.

— Isso é pra esconder que agora você tem uma escrava vampira?

Falei com mais amargura do que queria.

— Victoria… — aqueles olhos cor de avelã me encararam de frente.

— Isso é pra te proteger do sol e do vento. Não tenho outra intenção.

Respondeu sem desviar o olhar, cobrindo minha cabeça com o capuz aveludado.

Depois mandou o rapaz segurar firme as rédeas.

— Sobe, eu te ajudo...

— Eu consigo sozinha, senhor.

Passei por ele, deixando-o com os braços estendidos.

Segurei firme na sela e apoiei a bota no estribo.

Com ímpeto, me impulsionei e subi, passando a bunda bem na cara do lobo idiota.

Sentei com firmeza.

Meu pai me ensinou a cavalgar desde criança, eu não era uma donzela delicada.

— Estou pronta. Cadê seu cavalo?

Olhei pra ele lá de cima como se eu fosse a dona e ele meu escravo.

Um sorriso torto apareceu no canto daquela boca sexy.

— Meu cavalo? Você tá montada nele...

Antes que eu entendesse, ele se agarrou na sela e subiu de um salto.

Caiu feito um selvagem sobre o lombo do cavalo, grudando nas minhas costas.

Me empurrou pra frente enquanto seu pau se encaixava entre minhas nádegas.

Nem deu tempo de protestar quando mandou o rapaz entregar as rédeas.

Uma mão apertou forte minha cintura, me colando ainda mais a ele.

Minhas costas contra aquele peito duro e bronzeado.

Ele não usava sua armadura de sempre, só uma camisa branca de linho, meio aberta.

— Hia! — rugiu, esporeando o animal robusto que relinchou e avançou com força.

Saímos cavalgando do estábulo e meu corpo ainda estava rígido.

Fiquei calada, fingindo estar rebelde, embora estivesse adorando o calor da pele dele.

Sua respiração era quente no meu ouvido, e o cheiro de macho selvagem me deixava louca.

Draco sempre teve esse poder de me enfeitiçar.

O cavalo era veloz, e logo avistei os homens dele nos arredores da vila.

Também olhei discretamente ao redor.

Não sentia a presença de Rousse, mas ele sabia que estávamos indo para o acampamento do Lorde.

Iria nos seguir em segredo. Nos veríamos depois.

O cavalo parou com os cascos estalando na brita.

— Está tudo pronto? — o Lorde perguntou ao seu Beta.

— Sim, senhor. Podemos partir — respondeu, me lançando um olhar rápido.

Os outros homens disfarçavam bem a vontade de espiar, mas nenhum ousava olhar diretamente pra mim.

— A Srta. Celia está na carruagem.

Quando ele disse isso, percebi a pequena carruagem logo à frente.

— Ótimo. Vamos apressar o passo pra não nos atrasarmos.

Draco incentivou o cavalo pra tomar a dianteira, mas ao passar ao lado do veículo, a cortininha se abriu.

Então me lembrei de quem era a tal Celia.

A mulher da loja.

Os olhos dela me atravessaram com um olhar mortal.

— Meu senhor, tem espaço na carruagem. Pode ir mais confortável — disse, tentando disfarçar a raiva.

Mas, pelo que entendi, era escrava daquela loba prepotente.

Eu precisava encontrar uma forma de afastá-la e fazer umas perguntas.

Naquela mesma noite, aconteceu um evento bem desagradável que me deu a chance perfeita de capturar a tal feiticeira.

*****

— Obrigada — agradeci aos rapazes que enchiam a enorme tina de madeira com água quente.

Na verdade, eu estava morrendo por um banho.

Sentada numa poltrona dentro da tenda espaçosa, esperava que saíssem pra eu poder afrouxar o espartilho.

Mas justo quando achei que tinham terminado, entrou um guerreiro que eu não reconheci.

Trazia o último balde, mas a água me pareceu meio turva.

— Espera aí, por que essa tá diferente? — perguntei, franzindo a testa.

— Sei lá. Agradece que o Lorde deixou você usar a banheira dele e não tem que ir pro rio como todo mundo — respondeu, grosseiro.

O olhar de desprezo dele era o mesmo que muitos tentavam esconder.

Eles odiavam vampiros.

— Não quero que jogue essa água na tina — falei, me aproximando pra impedi-lo.

Algo no cheiro daquele vapor não me agradava.

— Sai de perto, vampira imunda!

Ele arrancou a alça quando tentei tirar o balde.

— Pode me chamar do que quiser, mas se jogar essa água, vou te chutar tão forte que suas bolas vão sair pela boca.

Sibilei, cheia de ameaça.

Uma coisa era aguentar as ceninhas do chefe porque ele me deixava louca, outra era me submeter a esses caras.

— Não se ache só porque é a nova puta do Lorde. Quando ele se cansar de você, eu mesmo vou arrancar sua cabeça, vadia!

Tentou me jogar a água quente.

Saltei pra trás com minha velocidade máxima, mas ainda assim algumas gotas iam me atingir.

No entanto, um escudo de músculos apareceu na minha frente num piscar de olhos.

Só ouvi um estrondo, a madeira estalando e depois o uivo de dor de um lobo.

A mesa maciça desabou quando o corpo bateu nela após um soco brutal.

— Como você se atreve...? — as palavras de Draco saíam engasgadas de tanta raiva.— COMO OUSA TOCAR NO QUE É MEU?!

Vi seu corpo forte e cheio de perigo avançar.

O cheiro de sangue já estava no ar.

Ele agarrou o homem, com o rosto desfigurado e meio morto sobre a mesa, e o arrastou pelo chão até jogá-lo pra fora da tenda.

— SILVIO! REÚNE TODO MUNDO AGORA MESMO! QUERO TODOS AQUI, ENTENDERAM?!

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