NARRADORA
Celia arremessou a caixa pesada de joias da mesa num ataque de fúria.
Sua tenda estava um caos.
Ele tinha desafiado todo o acampamento por causa de uma vampira.
Não se importou nem um pouco em deixar claro que estava louco por aquela vadia.
Todo mundo sabia que ela era apaixonada por ele!
—Você me rejeita por uma sugadora de sangue nojenta?! Aaaggg, maldição!
Ela lançou um vaso de flores ao acaso, mas com tanto azar que quase acertou a pobre mulher que tremia num canto.
—VOCÊ! —Celia se lembrou dela de repente.
—Você disse que aquelas ervas venenosas iam destruir a pele dela, sua idiota!
Avançou contra a feiticeira como uma cadela raivosa e começou a estapeá-la.
Não importava o quanto a menina implorasse entre lágrimas, tentando explicar que não foi culpa dela...
O guerreiro subornado já estava morto e Celia não tinha mais quem culpar.
Não era a primeira vez que batia naquela jovem de apenas 16 anos.
E o pior é que depois ainda precisava se curar com magia para que ninguém soubesse, principalmente o Lorde.
Mas dessa vez a raiva de Celia estava completamente fora de controle.
Tudo o que via eram as imagens de Dracomir com Victoria.
O desejo feroz que jamais tinha visto nos olhos daquele macho ao olhar pra qualquer outra fêmea.
E o que mais sobrava pra Dracomir eram mulheres se oferecendo pra aquecer a cama dele.
—Eu vou te matar na porrada, desgraçada! Larga meu homem, ele é MEU, sua maldita, É MEU!
Seus olhos vermelhos confundiam a menina com Victoria, a mulher que mal conseguia resistir no chão.
Dava a ela um prazer distorcido fincar as garras e socar com força por todos os lados.
Descarregou toda sua frustração... até perceber que aquela falsa “Victoria” não reagia.
Nem chorava ou suplicava... estava rígida.
A lucidez voltou de repente à mente de Celia, e ela deu um passo pra trás, com medo nos olhos.
O sangue manchava suas garras.
Só restava um fiapo de gente estendido sobre o tapete escuro.
—Não... não, eu matei ela... não pode ser... papai vai ficar furioso... —ela tremia agora, pensando nas consequências.
O pai usava aquelas garotas pra controlar as bruxas velhas e fazê-las obedecer.
E se Dracomir descobrisse isso, ia castigá-la e rejeitá-la.
Ele não tolerava violência injustificada, ainda mais contra mulher, mesmo que fosse vampira.
—Preciso me livrar do corpo. Ninguém pode me descobrir...
Olhou assustada pra entrada.
Os guerreiros estavam reunidos no centro das fogueiras, mas algum patrulheiro podia ter escutado.
Foi aí que percebeu o quão estúpida tinha sido.
Com o coração disparado e um nó na garganta, colocou o capuz escuro e começou a arrastar a “prova” pra parte de trás da tenda.
Deixou a bruxa na beirada e depois saiu sozinha pela entrada, como se estivesse apenas passeando.
Um guerreiro que rondava se aproximou e perguntou se estava tudo bem.
Celia fingiu, respondendo que só estava procurando sua criada.
Mas quando se virou, as palavras sussurradas daquele soldado gelaram seu sangue.
O guerreiro murmurou, se enfiando entre as árvores densas que cercavam o acampamento.
Pensava em jogá-la no penhasco próximo e deixar a natureza fazer o resto do trabalho.
Ninguém a encontraria, e menos ainda se importariam com uma simples bruxa.
Só que aquele oportunista jamais imaginou que estava sendo vigiado nas sombras.
Alguém tinha visto o crime.
Rousse o seguiu em silêncio.
Meridiana tinha reconhecido o cheiro da magia da menina.
Era do grupo dela e estava agonizando.
Rousse esperou até que estivessem bem longe do acampamento.
O próprio guerreiro tinha escolhido o lugar perfeito pra morrer.
Quando estava prestes a jogar a pobre mulher no precipício, sentiu uma sombra ameaçadora se mover às suas costas.
—Identifique-se...!
Ele se virou com os caninos à mostra, pronto pra enfrentar a ameaça —mas o inimigo era mais forte.
Rousse saltou na frente do guerreiro e passou a lâmina limpo pela garganta dele, calando-o antes que pudesse uivar.
Os olhos do macho se arregalaram, sem acreditar que tinha sido morto num suspiro.
Deu alguns passos cambaleantes pra trás, direto pro vazio, fazendo sons estranhos enquanto o sangue escapava pelas veias.
Mas o pior é que ele ainda se agarrava ao corpo daquela menina.
“Segura ela, Rousse! Tira ela dele ou ele vai jogar a menina no penhasco!”
Meridiana gritou de dentro do General, ao vê-los despencar pela beirada, direto pra uma morte certa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...