NARRADORA
Agora tudo fazia sentido nas memórias fragmentadas que Meridiana havia roubado da jovem maga.
Um feitiço em específico se repetia como um loop na mente daquela feiticeira.
Ela não queria esquecê-lo, então recitava sem parar.
Meridiana aprendeu com ela: a forma de extrair, pouco a pouco, a energia perigosa daquele cristal.
Era apenas um fragmento, roubado pelas feiticeiras aprisionadas.
Conseguiram passá-lo, com muito sacrifício, para aquela garota que servia como escrava de Celia.
Ela era a esperança delas, pois tinha a chance de escapar da fortaleza e roubar a magia do cristal para se fortalecer.
Encontrar mais clãs de bruxas, planejar o resgate…
Obviamente, não conseguiu fazer nada disso.
Chegou até a ter que se livrar do cristal durante uma revista nas portas, senão teria sido pega.
—É óbvio que isso é muito importante… —Rousse também chegou a essa conclusão, tirando um lenço para envolvê-lo.
Ele se sentia desconfortável, não queria tocar mais naquilo.
—Não podemos deixar que isso caia nas mãos de algum lobo.
De repente, Marius deu um passo com uma expressão de quem tinha lembrado de algo muito desagradável — e de fato tinha.
—Por quê? —Rousse levantou uma sobrancelha.
Claramente, não tinham contado nenhum detalhe para aquele vampiro, muito menos a verdadeira origem daquele poder tirado da fortaleza.
—Eu... ouvi de alguém... essa foi a magia negra que os lobos usaram pra nos subjugar e escravizar.
Rousse o encarou fundo.
Cada vez mais se convencia de que a história daquele sujeito tinha furos por todos os lados.
—Bom, agora está em boas mãos. Vamos —disse, já seguindo em frente.
Estava ansioso pra falar com Victoria, precisavam ver como se infiltrar na fortaleza.
—Rousse, eu carrego, me dá, sei que está doendo —Meridiana sussurrou no ouvido dele.
Sua magia era tão sombria que um pouco mais de escuridão não fazia diferença para sua alma pura.
Rousse e ela conversavam em silêncio sobre como usar aquilo a seu favor.
Mas, atrás deles, Marius fazia o mesmo.
É claro que ele mentiu. Não ia dizer que era um dos vampiros escravistas da nobreza.
Muito menos de onde reconheceu o gosto daquela magia impressionante.
Seus olhos brilhavam como naquela madrugada em que os lobisomens os pegaram de surpresa nas próprias camas.
Eles tinham saído dos esgotos onde o Lorde os jogou pra morrer por terem se rebelado.
Dracomir e suas feras pareciam derrotados; como sempre, os vampiros se sentiam vitoriosos.
Mais uma rebelião sufocada.
Mas ninguém soube explicar como eles sobreviveram.
Muito menos a besta colossal que surgiu entre os soldados, matando e massacrando tudo no caminho.
Invadiu os corredores espalhando o caos e foi direto pra cortar a cabeça da família governante.
Aquela transformação, nunca antes vista, era de Dracomir.
Marius ainda lembrava, com o medo cravado nos ossos, quando o viu ao longe rugindo para os céus no topo da torre em ruínas.
A cabeça do Lorde vampiro e do general Hagen arrancadas em suas garras ensanguentadas.
O poder esmagador se espalhou como uma onda junto ao seu uivo arrebatador, puro ódio e raiva.
Aquele brilho em sua pelagem sob a lua era a mesma luz que agora cintilava nas profundezas daquele cristal.
A sensação opressiva de que uma besta justiceira vinha buscar a sua cabeça.
Se aquela magia fez um escravo moribundo evoluir para um lobo poderoso, será que também poderia levá-lo ao topo da evolução?
De repente, os olhos de Marius brilharam de cobiça olhando para as costas de Rousse.
Se arrependeu de não ter sido mais esperto.
Agora era tarde. Ele não era páreo pra aquele morto-vivo.
Mesmo assim, ela envolveu os braços nos ombros da vampira, dando tapinhas carinhosos.
Victoria estava aflita e perturbada.
—O que aconteceu? Alguém te ameaçou? —Rousse também percebeu os sentimentos confusos dela.
—Não, não é nada... só que as coisas estão mais complicadas do que a gente imaginava...
Suspirando, ela se afastou da bruxinha e contou, em resumo, o que sabia.
—Era só o que faltava, a gente no meio de uma guerra nesse mundo —Rousse franziu a testa.
A essa altura, ele já tinha se aberto com sua fêmea.
Meridiana estava disposta a segui-lo para o reino dele assim que encontrassem um jeito de voltar pra casa.
No fim, nada aqui a prendia de verdade.
—Não é qualquer guerra, envolve meu companheiro e eu não vou deixá-lo sozinho —Victoria contou sua decisão.
—E de onde vamos tirar um exército como o que você está propondo? —Rousse foi direto ao ponto.
—E mesmo que a gente encontre um, como pretende criar tantos mortos-vivos em tão pouco tempo? Você sabe o quanto de magia isso exige. Seu pai, que é mais poderoso que você, não fez o exército dele em dois dias...
—Ai, sem piedade. Obrigada pela confiança, general —Victoria levou a mão ao peito, fingindo estar ofendida.
—Rousse, não seja grosso... —o ombro de Rousse levou um tapa, e ele estava mais preocupado com a mão de Meridiana do que com o próprio ombro.
—Mesmo assim, você tem razão, e é isso que tá me deixando tão irritada. Na real, me arrependo de não ter treinado mais com meu pai —Victoria fez uma careta.
—E se você tiver uma fonte extra de magia? —Meridiana disse de repente, chamando atenção.
Tirou do cinto do vestido o lenço e expôs o "tesouro" que haviam encontrado.
Victoria se aproximou curiosa e logo entendeu o poder latente só naquele pedacinho.
Embora jamais tivesse ligado aquele objeto com a mensagem enigmática deixada por Katherine em seu sonho.
—Consigo extrair pequenas quantidades e refinar a magia negra. É difícil, porque esse poder não é nosso, mas as feiticeiras encontraram um feitiço...
Os olhos de Rousse e Victoria se cruzaram, cheios de esperança.
—Eu sei de onde tirar nossos soldados —Victoria completou com fogo no olhar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...