NARRADORA
Lavinia estalou a língua como se ainda estivesse brava, sentindo-o se tensionar de novo em suas costas.
Isso lhe dava uma curiosidade mórbida, ao vê-lo tão obediente e comportadinho.
—Entendo suas razões e até soa doce com todas essas histórias do passado… —a voz feminina soava indiferente.
—Mas isso não tira o fato de que você me moveu como um peão, planejando até mesmo antes de chegar aqui.
—Lavi…
—Lavinia. Ainda não sei se te perdôo. —Laziel fechou os lábios com força ao ouvi-la, um pouco arrependido de suas decisões.
Lavinia nunca tinha ficado tão brava com ele, não de verdade.
Fixou intensamente os olhos nas ondas suaves de cor castanha, seu cheiro era embriagante, doce, delicioso.
Mas odiava que ela quisesse se afastar dele. Precisava dela como precisava respirar.
—Sinto muito, não foi minha intenção… —repetiu.
Podia contar nos dedos as vezes que havia pedido desculpas em sua vida.
Suas mãos se apertaram ainda mais quando ela tentou se separar.
Ele se agarrou à cintura dela e a envolveu sem deixar espaço.
Será que realmente tinha levado isso longe demais?
Acreditou… que ela gostaria da surpresa… de suas loucuras…
—Me solta agora, Laziel, estamos no meio de uma guerra, preciso pensar… —Lavinia continuava a se debater e um pânico, como nunca, infiltrou-se na alma do macho.
Os olhos dourados começaram a ser cobertos por uma camada da cor da meia-noite.
—Pensar em quê…? Não, você não vai me deixar… Posso devolver os espectros se já não os quiser mais!
Ele a fez se virar em seus braços, mas sua cintura seguia controlada por ele e a mão subiu até seu queixo, obrigando-a a olhá-lo.
Lavinia se surpreendeu ao ver os olhos quase negros e o rosto transtornado de Laziel.
Agora ele se parecia mais com seu pai quando perdia o controle.
—Não pensei que te incomodaria tanto, só achei que era um jogo entre nós, como os que fazemos na cama…
—Laziel, de verdade, eu tive medo de morrer…
—Nunca! —rugiu uma voz profunda, vibrante, estranha, que fez as paredes tremerem.
—Jamais deixaria você morrer. Você devia saber, Lavinia. Desde o primeiro momento em que te ameaçaram e eu não apareci… devia entender que eu estava brincando contigo, que eu nunca te colocaria em um perigo real.
Lavinia estremeceu e seu coração batia sem controle.
Queria castigá-lo um pouquinho mais; já que ele gostava tanto de joguinhos, dar-lhe de sua própria medicina.
Mas as coisas estavam saindo do controle. Afastá-la de Laziel era invocar os monstros dentro dele.
—Me diga o que tenho que fazer para ficarmos bem, me diga… farei o que você pedir, Lavinia, me diga…
Ele a pressionava, empurrando-a contra a parede, sem se separar dela, sua boca sussurrando sobre a dela, à espreita.
A névoa espectral saía do corpo forte dele e a prendia como mãos que não a deixariam ir.
O quarto inteiro ia escurecendo com sombras dançando, as paredes se deformando em um vórtice de loucura.
As lajes rangiam e os alicerces daquele lugar vibravam.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Lycan e sua Tentação Sombria
Eu tava no 334 do REI LYCAN E SUA TENTAÇÃO SOMBRIA, resolvi voltar no capítulo anterior e agora, apresentando o bilhete hoje de cobrança mas num deixa abrir. Da erro...
Pq aqui nesse livro vc não pode voltar num capítulo que já leu?...
Comprei o capítulo e não consigo ler porquê?...
Eu queria continuar lendo...