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O Rei Lycan e sua Tentação Sombria romance Capítulo 804

NARRADORA

—Nós temos as melhores intenções com suas filhas, senhor.

—Claro, tão boas que você cravou primeiro os caninos antes de pedir a mão delas —Hakon rosnou com raiva.

O mesmo sentimento que o acompanhara desde as profundezas do seu pântano até a sua matilha.

Mas, fiel à promessa que fez às filhas, a matança não tinha começado… ainda.

Uma mão feminina apertou forte sua coxa, era a de sua mulher, Anastasia.

Estavam todos sentados numa reunião de família.

Ou melhor, o lado dos acusadores e o dos acusados: Fenrir e Magnus.

—Príncipes lycans, isto… foi algo inesperado para nós como pais, entendam o meu companheiro —Anastasia, a Beta Centuria do reino, falou firme, mas mais conciliadora.

Era a mãe das gêmeas que agora estavam de lado como boas meninas, mas por dentro os nervos iam às alturas.

—Sogra…

—Chame-a de Senhora Anastasia —Hakon quase latiu para Fenrir.

Achava que ele era o menos pior dos dois porque, pelo menos, não tinha marcado a sua pequena.

Mal sabia ele o quão rápido mudaria de ideia.

—Sra. Anastasia… vulgo nossa futura sogra —“corrigiu”, e Magnus pigarreou ao lado dele, curto e seco.

“Não vai soltar uma das suas pérolas, Fenrir; se não, deixa eu falar”, lhe rosnou na mente, onde aconteciam a maioria das conversas na sala.

—Queremos pedir formalmente a mão de suas filhas; temos as melhores intenções de fazê-las nossas princesas, nada lhes faltará nunca…

—Você está insinuando que na minha matilha faltava alguma coisa?! —Hakon deu um tapa no apoio de braço, que rangeu perigosamente.

—Por favor, Alfa, não dá para discutir a cada palavra! —Os olhos de Anastasia fulguraram perigosos para o seu homem.

Era uma mulher robusta e alta, de cabelo ruivo como o fogo mais ardente, e um temperamento também de guerreira.

Mas mulher no fim, via além do simples “marcar território” nos machos.

—Nossas filhas já faz um tempo que procuram seus machos ideais e, embora tivéssemos desejado que fossem do nosso continente… —Anastasia fez uma pausa, olhando para suas pequenas.

— Não se pode lutar contra o destino.

Agora que o momento chegara, o coração também se apertava.

Sua mão trêmula, de repente, foi tomada pela áspera e grande de Hakon, que lhe deu um leve aperto.

—Bem, nós, como pais, sempre velaremos por elas. Aceitamos se as gêmeas estiverem de acordo com a união, embora Hannah… é óbvio que já escolheu.

—Mamãe… papai… —A poderosa mulher de inverno se levantou e caminhou para a frente de seus amados pais.

Então se inclinou com respeito, ajoelhando sobre um joelho e pegando-os de surpresa.

Sua mão foi segurar as dos pais no colo.

—Sou grata por todo o amor que recebi até agora, não importa para onde eu vá, eu sempre voltarei para o meu lar —disse, com a voz estrangulada de emoção.

As lágrimas começaram a rolar pelos olhos vermelhos de Hannah.

A maior parte da ira de Hakon se dissolveu.

Todos podiam chamá-lo de selvagem, mas ele sabia, lá no fundo, que fora abençoado pela Deusa por desfrutar tanto tempo de suas filhas.

Não ia dificultar tanto assim.

Até um “incivilizado” como ele entendia que elas precisavam de um par.

Mais de uma vez as tinha visto suspirando pelos cantos.

—Enquanto você for feliz…

—Vou fazê-la muito feliz, Alfa Hakon!

De repente, Magnus aproveitou para dar o golpe final.

Também se levantou e se ajoelhou ao lado de sua fêmea, como poucas vezes fizera na vida.

—Hannah é… a bênção que eu estava esperando —olhou para ela, apaixonado, ao seu lado.

Seus lobos enamorados se refletiam nos olhos um do outro.

Uma união dos céus.

—É bom mesmo, e fique sabendo… que hoje vamos lutar do mesmo jeito —Hakon se inclinou para a frente para sussurrar entre os dentes.

—Pouco me importa terem me transformado em lycan; meu lobo Alfa é suficiente para te pedir contas se você machucar a minha filha.

—Então vamos lutar só por diversão, jamais por um agravo —A língua sábia de Magnus estava em alta.

Aplicava todos os conhecimentos de político falastrão que conhecia.

Hakon não pôde socá-lo como queria; ao menos Hannah tinha conseguido.

—Vem me dar um abraço, minha pequenininha! —Anastasia puxou-a para o seu peito também proeminente.

Ali, entre peito e peito, conseguiram dar um forte abraço de família.

Magnus estendeu a mão ao sogro e ficou no vácuo.

—Vamos preparar um casamento, também com meus pais …

—No meu pântano primeiro —Hakon deixou claro, inflexível.

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