Clarice tomou um susto e, em seguida, ajustou o tom de voz. — Sr. Albuquerque, as vendas deste trimestre cresceram 12% em comparação ao ano anterior, mas o desempenho na região leste do país ficou abaixo das expectativas.
— O motivo? — Gabriel foi conciso.
Clarice respondeu: — Principalmente porque a concorrência reduziu os preços drasticamente. Sobre este projeto, sugiro redirecionar os recursos para o mercado de alto padrão e fortalecer o valor da marca, para evitar futuras guerras de preços.
Ela sempre era assim, pensava em soluções assim que descobria os problemas.
Gabriel concordou e bateu levemente os dedos na mesa. — Sobre a estratégia para a região leste, entregue uma proposta complementar detalhada amanhã. Vamos seguir sua sugestão por enquanto, mas os detalhes precisam ser exatos. Não deixe nenhuma brecha para a concorrência.
— Entendido. — Clarice respondeu sem ser submissa nem arrogante, com seu tom habitualmente profissional e calmo.
Ele não olhou para os documentos dela, nem disse mais nada.
Clarice ficou parada ao lado, com o olhar pousado silenciosamente nele. Contra a luz, o homem tinha traços bem definidos e um rosto bonito.
Gabriel franziu as sobrancelhas espessas e apontou para os lírios. — Leve isso embora.
— O senhor...
— Eu disse para levar embora!
— Sim.
Clarice pegou os documentos, apressou-se em pegar o vaso de flores e virou-se para sair.
Seus passos eram igualmente rápidos e precisos, mas ela achou estranho. Antes, no exterior, de vez em quando ele pedia para colocar um buquê de lírios na mesa. Por que agora, de volta ao país, ele não precisava mais?
Gabriel gostava de lírios porque Beatriz tinha um cheiro de lírio.
Às vezes, quando sentia falta dela no exterior, ele cheirava os lírios.
Agora não precisava. A esposa estava ao seu lado, não iriam se divorciar e ele podia dormir com ela quando quisesse!
Na hora de ir embora, Gabriel desceu as escadas e saiu do saguão. Ele viu que os repórteres já haviam sido afastados a dezenas de metros pelos guarda-costas, mas ainda formavam uma barreira de pessoas.
"..." Com as mãos nos bolsos, ele apertou os olhos e olhou para lá. Um por um, eles levantavam as câmeras para ele, disparando cliques incansavelmente!

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