Luna Dias sentiu o frio que emanava da palma da mão dele e franziu levemente a testa, resistindo à vontade de se soltar, mas forçando um sorriso no rosto.
— É mesmo? Então eu quero ir para a Suíça ver as montanhas de neve... — Ao dizer isso, o sorriso em seu rosto desapareceu gradualmente, substituído por uma expressão de desapontamento. — Mas, por enquanto, não posso ir.
— O que houve? Por que não pode ir? — perguntou Mateus Silva, preocupado.
Porque ela não podia perder o grande espetáculo que aconteceria na tarde seguinte no Salão de Beleza Rosa.
Ela queria ver com os próprios olhos a cena de Catarina Mendes sendo desprezada e caindo na lama.
Além disso, ela não tinha a menor vontade de viajar com ele.
Só de pensar nos momentos que ele e Catarina passaram juntos, sentia náuseas.
— Você esqueceu? A exposição conjunta de Fernanda e Thiago Campos está prestes a começar, e eu, como diretora, não posso me ausentar. — Ela retirou a mão para gesticular. — A abertura é no dia 19 do mês que vem, dura um mês e, quando terminar, já estaremos perto do Ano Novo. Parece que só poderemos viajar depois das festas.
Mateus olhou para a decepção e o desamparo em seus olhos, parecendo sentir o quanto ela precisava dele, e o vazio em seu peito pareceu ser preenchido pouco a pouco.
Ele sabia o quanto o museu de arte significava para ela e não podia forçá-la a abandonar o trabalho para viajar. Uma onda de culpa o inundou, avassaladora.
Ele baixou a cabeça e murmurou com sinceridade e honestidade: — Desculpe, Luna.
Luna encontrou o olhar dele e compreendeu instantaneamente o que aquele "desculpe" significava.
Desculpe por tê-la decepcionado, por tê-la traído, por tê-la enganado e até mesmo por tê-la magoado.
Mas ela não conseguiu sorrir e dizer "não foi nada".
As cicatrizes em seu coração ainda latejavam com uma dor fina e persistente. Embora não fosse intensa, era o suficiente para lembrá-la do amargo sabor de ter sido traída pelas duas pessoas mais próximas a ela.
Ela reprimiu seus sentimentos e sorriu. — Não precisa ser agora. Podemos ir à Suíça depois do Ano Novo, as montanhas de neve estarão lá de qualquer maneira. Nessa altura, minha gravidez estará mais estável e o risco será menor.
Ao ouvir isso, Mateus instintivamente olhou para o ventre plano dela, com um brilho terno nos olhos. — Você tem razão. Então faremos como você disse, vamos depois do Ano Novo.
Ele hesitou por um momento e disse em voz baixa: — Querida, você não parece estar tendo muitos enjoos.
Luna ficou um pouco surpresa com a observação. Ela já havia pensado nisso.
Mas era impossível fingir que estava vomitando o dia todo; além de exaustivo, ela não tinha a força mental para tanto.
Era melhor não ter reação alguma.
Ela sorriu e disse: — É estranho, não é? Acho que meu principal sintoma é não suportar o cheiro de comida gordurosa e ser muito seletiva com o que quero comer. Fora isso, nada demais...
Mateus, com o rosto cheio de ternura, inclinou-se e acariciou suavemente o ventre dela, imaginando como seria o bebê.
Ele sorriu. — Que bom menino, não está dando trabalho para a mamãe. Quando você estiver um pouco maior na barriga da mamãe, o papai vai ler histórias para você todos os dias, que tal?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....