O prédio da internação era conectado ao da clínica, na frente. Embora o terraço estivesse aberto, havia uma cerca elétrica de mais de um metro de altura para evitar que alguém pulasse.
A luz do sol banhava o terraço por todos os lados, e uma brisa quente e suave soprava, tornando o ambiente agradável e acolhedor.
Em comparação com o grande jardim no centro da área de internação, ali era muito mais tranquilo.
Catarina usava um casaco de plumas sobre os ombros, e a expressão em seus olhos era sombria, seu coração pesado com uma fúria tempestuosa. Ela cerrou os dentes e encarou Luna, que caminhava à sua frente.
Do quarto ao terraço, a distância não era grande. Com o elevador, o percurso levou apenas sete ou oito minutos, mas para ela pareceu uma eternidade.
Tanto a recente destruição de sua reputação quanto a teimosia de sua mãe, somadas à frieza e indiferença que Mateus acabara de demonstrar, tudo se entrelaçava em um turbilhão caótico em sua mente.
Mateus não se importava com o filho em seu ventre simplesmente porque Luna também estava grávida, não era?
Dado o quanto ele se importava com Luna, era natural que a escolhesse.
Mas o filho em sua barriga não era dele também?
Por que ele não se importava? Por que a abandonava?
Ela já havia pensado em se livrar do filho de Luna, mas os acontecimentos recentes foram tantos que ela não teve oportunidade de agir.
Um brilho de ressentimento venenoso passou por seus olhos, mas no momento em que Luna se virou, ela recuperou a compostura.
Continuava triste, sem vida, apática.
Talvez o sol de hoje estivesse realmente forte demais, pois Luna conseguiu captar aquele lampejo de crueldade.
Ela se lembrou da mensagem que dizia que Catarina novamente nutria intenções assassinas contra ela.
Um sorriso irônico brotou em seu coração.
Realmente, o ditado "conhecemos o rosto, mas não o coração" fazia todo o sentido.
Ela sorriu suavemente.
— Pronto, não fique triste. Seria uma pena desperdiçar um sol tão quentinho.
— Agora você não pode ficar pensando muito. Quando sua mãe trouxer seu celular, chame-o aqui no hospital para terem uma conversa séria. Aproveite para que ele se posicione diante dela, para que todos nós vejamos a determinação dele em se casar com você.
— Mas se ele realmente não quiser assumir a responsabilidade, então não insista. Não vale a pena sofrer ou ficar triste por alguém assim.
A determinação de se casar com ela?
O olhar de Catarina se aguçou.
Enquanto Luna existisse, Mateus jamais a pediria em casamento por vontade própria.
E, além do mais, Luna também estava grávida...
A menos que a própria Luna pedisse o divórcio.
Seu coração se agitou, e ela murmurou, como que testando o terreno:
— E o meu filho?
O sorriso de Luna não se alterou, mas suas palavras carregavam uma sugestão sutil e traiçoeira:
— Qualquer que seja sua decisão, eu te apoiarei. Se quiser ter o bebê, então faremos o repouso juntas e depois cuidaremos dos nossos filhos juntas. Sei que ainda é cedo, mas Mateus já até pesquisou um centro de recuperação pós-parto. Nossas gestações não têm muita diferença de tempo, então podemos pedir para ele incluir você no plano.
Catarina observava a preocupação genuína nos olhos de Luna, como se ela realmente estivesse ansiosa para passarem pela gravidez e pelo parto juntas. Mesmo assim, seu coração permanecia frio, incapaz de sentir qualquer calor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....