A culpa em seu rosto era como uma gota de orvalho caindo em seu coração há muito ressecado.
Sim, era exatamente essa culpa que ela queria ver.
Luna acariciou a barriga, abaixou a cabeça lentamente e murmurou, como se falasse consigo mesma: — Ontem... ontem ele ainda estava aqui dentro, e simplesmente se foi... Não é de se espantar que ele tenha se decepcionado tanto comigo. Fui eu... eu não o protegi.
— Não, não, não. — Mateus segurou a mão dela. — Não diga isso. A culpa é minha. Coloque toda a culpa em mim. O erro foi todo meu.
Ele preferia que ela descontasse sua raiva nele, que o batesse ou o xingasse, em vez de vê-la se consumir em culpa, sem conseguir se libertar.
Luna ergueu os olhos, que piscaram suavemente, e as lágrimas começaram a cair. — A culpa é sua. Eu me lembro de cada palavra que você me disse, de todos os seus anseios pelo nosso filho. Foi você... você que traiu a mim e ao nosso bebê.
Mateus pegou um lenço para secar suas lágrimas. — Eu errei. Eu realmente sei que errei. Peça ao nosso filho para vir me visitar em sonho. Não importa como ele me castigue, está tudo bem, certo?
— Ele não virá mais. Ele não virá.
Luna repetiu as palavras, atordoada.
Parecia ter perdido a alma, tão triste e desesperada.
Mateus sentia cada respiração como se engolisse espinhos, arranhando sua garganta, enquanto as palavras de desculpa se desfaziam como ferrugem silenciosa.
Tão leves, e tão amargas.
Ele não conseguia mais pronunciá-las, apenas continuava a secar as lágrimas dela.
Ele errou, errou terrivelmente.
Desde o início, não deveria ter começado um relacionamento com Catarina. Mesmo depois daquela noite, deveria ter resolvido a situação de uma vez por todas.
Do contrário, não teriam chegado a este ponto.
Toda essa dor e arrependimento eram consequências de seus próprios atos.
Mas Luna e o filho deles eram inocentes.
Não deveriam ter sofrido tanto.
Era como se ele estivesse tentando juntar os cacos de um espelho com uma enorme rachadura, mas por mais que tentasse, nunca conseguiria restaurá-lo ao seu estado original.
Luna o empurrou, sua voz suave, quase sem forças para gritar. — Saia. Quero ficar sozinha.
— Esposa, me deixe ficar com você. Prometo que não falo nada, está bem?
Nesse estado, ele realmente não se sentia seguro em deixá-la.
Luna olhou para ele. — Eu já disse que não quero ouvir você me chamar de "esposa".
Ouvir aquilo soava irônico e nojento.
Mateus concordou com dificuldade: — Tudo bem. — Ele a observou deitar de lado, o olhar fixo no vazio, sem saber no que ela pensava.
Ele realmente não disse mais nada, apenas ficou ali, em silêncio, acompanhando-a, sem desviar o olhar dela nem por um segundo.
E Luna sentia apenas o quão exaustivo era atuar naquela peça.
Uma profunda sensação de cansaço a envolveu, mas não a fez sentir sono.
Perto das sete, Mateus, vendo que ela não dormia, perguntou em voz baixa: — Luna, posso trazer água para você se lavar?
Sua voz estava rouca, ainda com um tom hesitante de quem busca aprovação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....