Todos esses anos, ela se dedicou de corpo e alma a eles. Por quê?
Por que eles faziam isso com ela?
Luna quebrava a cabeça, mas não conseguia entender. Ao ouvir o som da porta do carro se fechando atrás dela, engoliu as lágrimas, lambeu os lábios nervosamente e escondeu o desespero e a tristeza de seu rosto.
Mas não conseguiu conter a amargura que crescia em seu peito.
Mateus se aproximou e a viu parada, rígida. — O que foi? — perguntou, preocupado.
Ela se segurou para não soluçar, inventou uma desculpa rapidamente e disse em voz baixa: — De repente, pensei... amanhã, quando voltarmos, não deveríamos preparar algo para o papai, para "aquela senhora" e para Isabella também? Será que eles não vão ficar chateados ou com algum ressentimento?
"Aquela senhora", naturalmente, se referia à primeira esposa da Família Silva, Laura.
Laura vinha da rica Família Oliveira de Cidade Manba. Era uma mulher elegante, acostumada ao luxo, e sempre odiou Daisy e seu filho, olhando para eles com desprezo.
Carlos, o chefe da Família Silva, e Laura tiveram um casamento arranjado, sem muito afeto. Na época, o relacionamento deles havia se desgastado tanto que deu a Daisy a oportunidade de se intrometer.
Isabella Silva era a única filha da Família Silva, nascida de Laura, e era apenas três anos mais nova que Mateus.
Ao ouvir isso, ele franziu a testa, mas logo relaxou. — Sim, você pensou bem. "Aquela senhora" adora criar confusão e causar problemas. Amanhã de manhã, podemos escolher algumas coisas no depósito.
Luna não respondeu.
Laura era uma mulher formidável, mas não cruel o suficiente. Caso contrário, Daisy e seu filho jamais teriam conseguido entrar na casa da Família Silva.
E Daisy... agora, só de pensar em seu nome, sentia um calafrio.
Aquela mulher era a personificação da maldade.
Ela olhou para o homem à sua frente, e sua alma estremeceu.
Essa história de representante legal... será que Mateus sabia?
Naquela noite, ela se revirou na cama, sem conseguir dormir.
Na manhã seguinte, às dez e meia, o carro do casal entrou na mansão da Família Silva, uma propriedade de oitocentos metros quadrados com um pátio central. Assim que pararam em frente ao prédio principal, oito empregados se alinharam em duas fileiras. O mordomo, um homem de quarenta e poucos anos, aproximou-se com um sorriso.
— Jovem mestre, jovem senhora, bem-vindos de volta.
Mateus assentiu. — Meu pai e minha mãe estão em casa?
— O patriarca e os dois jovens mestres mais velhos foram para a empresa. Disseram que tinham uma reunião importante esta manhã e voltarão para o jantar. — respondeu o mordomo, respeitosamente. — A Sra. Laura e a Srta. Silva estão no prédio principal. A Sra. Cruz está esperando por vocês na ala lateral.
A propriedade da Família Silva consistia em três mansões independentes interligadas. Desde que Daisy chegou, ela e Mateus moravam na ala lateral, localizada atrás e à direita do prédio principal.
Sua vida diária, incluindo refeições, era separada do prédio principal. Apenas em ocasiões especiais, como o Ano Novo e outros feriados importantes, Daisy jantava no prédio principal.
O relacionamento de Carlos e Laura já era frio como a água. Ele passava a maior parte das noites com Daisy, mas ainda mantinha as aparências, preservando a dignidade de Laura como a primeira esposa da Família Silva.
Ele tomava o café da manhã e, quando estava em casa, almoçava com Laura no prédio principal.
Já que estavam de volta, a etiqueta exigia que fossem primeiro cumprimentar a Sra. Laura.
Luna não queria dar a ninguém um motivo para criticá-la por um detalhe tão pequeno, então pediu a um empregado para levar os presentes que havia preparado e entrou no prédio principal com Mateus.
Antes, quando estava imersa no turbilhão do amor, Luna sentiria pena dele, e às vezes, com os olhos vendados pela paixão, achava que a Sra. Laura e seus filhos eram excessivos.
Mas agora, com o filtro do amor quebrado, ela não sentia nada. Usando a desculpa de pegar o celular na bolsa para ver as horas, ela retirou a mão da dele.
Como primeira esposa, era natural que Laura odiasse a amante e seu filho.
O prédio principal não ficava longe da ala lateral. Atravessando um corredor e um pátio de seixos, avistaram uma jovem senhora vestida com um longo vestido roxo escuro, de pé na porta, olhando ansiosamente.
Ela se cuidava muito bem; seu rosto bonito não mostrava sinais da idade, sem uma única ruga nos cantos dos olhos, e sua figura era esbelta e graciosa.
— Mãe.
Mateus a chamou com um sorriso.
Daisy se aproximou com alegria, ignorando-o completamente e indo direto para Luna. — Luna, você chegou! Meu Deus, faz tão pouco tempo que não nos vemos, como você parece mais magra? E essa palidez?
Dito isso, lançou um olhar fulminante para Mateus. — Você não está cuidando bem da Luna? Olhe só, o queixo dela está até mais fino.
Mateus suspirou, resignado.
Sempre fora assim. Toda vez que Daisy a via, perguntava com preocupação sobre sua saúde e seu trabalho.
Luna ainda não conseguia distinguir a verdade da falsidade em seus rostos. Se não fosse pela confirmação de tudo o que a mensagem dizia, ela teria considerado a mensagem de ontem à noite um absurdo.
Agora, parecia que mãe e filho tinham um talento nato para a atuação.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....