Ele observou com frieza o líquido vermelho que escorria rapidamente de entre as pernas de Catarina, e suas feições se tornaram subitamente severas.
Hm.
Era bom que o perdesse assim.
Isso lhe pouparia muitos problemas.
Ele soltou o cabelo dela, os nós dos seus dedos gelados apertando-lhe o queixo.
A sua voz era fria e desapaixonada.
— Vou transferir um milhão para a sua conta, como compensação pelo aborto! Cuide-se bem! Ao longo dos anos, já lhe dei o suficiente, não seja tão gananciosa!
Dito isso, ele se virou e saiu.
Catarina ficou ali, desamparada no chão, observando o homem com quem um dia partilhou intimidade e paixão avassaladora afastar-se de forma tão resoluta.
De repente, sentiu dor por todo o corpo: no couro cabeludo, nas bochechas, no queixo, nos ombros, no abdômen.
E sentia frio.
Um frio cortante.
O vento gélido de fora soprava impiedosamente para dentro da casa, varrendo todo o calor e o conforto que antes existiam.
Ela ouviu o som de um motor ligando lá fora e sentiu o fluxo quente sob si esfriar aos poucos.
Ela gritou em agonia:
— O bebê... meu bebê... Não! Socorro... Mateus... não vá, salve o nosso... filho.
Eu... eu posso... concordar com qualquer coisa, por favor, não vá, me salve...
Mas a única resposta que recebeu foi o som do vento açoitado pelo carro em alta velocidade.
Mateus tinha partido.
Partiu sem qualquer hesitação.
Enquanto o som do motor se afastava gradualmente, ela se arrastou com esforço até a porta, lágrimas rolando novamente de seus olhos avermelhados.
Logo em seguida, uma fúria e um ressentimento sem fim tomaram conta dela.
Por quê?!
Por que as coisas chegaram a este ponto?!
Há poucos dias, no quarto 1408 do Hotel Continente, ele ainda dizia, acariciando sua barriga lisa:
— Bebê, você é a nova esperança do papai.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....