Os passos de Luna ao sair do hotel eram pesados.
Dentro do elevador, sentiu como se toda a sua força tivesse se esvaído.
Então, Mateus realmente a estava traindo?
Ela não queria acreditar, mas os fatos a forçavam a duvidar.
Como podia ser tanta coincidência?
Mateus desmarcou com ela de última hora, e Catarina estava justamente no Hotel Continente, no 14º andar, como dizia a mensagem, e coincidentemente tinha um encontro com seu suposto namorado no quarto 1408.
Se fosse verdade, quando eles começaram?
E como?
Ela não ficou esperando do lado de fora do hotel. Sabia que, depois de sua visita, Catarina certamente avisaria Mateus para não ir mais.
No caminho de volta, uma chuva fina começou a cair.
O céu de início de outono já começava a esfriar.
Quando chegou em casa, o telefone de Mateus tocou. Ela não atendeu. Estacionou o carro e entrou.
Mateus ouviu o barulho e se apressou em sua direção. — Por que trabalhou até tão tarde?
Antes que ela pudesse responder, ele a abraçou, dizendo com pesar: — Desculpe, meu amor. Eu furei com você hoje.
Luna sentia-se entorpecida.
Um pensamento lhe ocorreu: ele também abraçava Catarina assim, sussurrando palavras doces?
Mas ela não ousava imaginar a cena.
Seu coração doía.
Mateus olhou para ela, apertou sua mão e disse em voz baixa: — Vamos remarcar o restaurante. Podemos ir amanhã, que tal? E compramos novos ingressos para o cinema.
Em todos os réveillons seguintes, ele a surpreendia de maneiras diferentes.
Outra vez, ela ficou doente, no inverno. Estava com febre e delirando. No meio do caminho, o carro ficou preso na neve, e ele a carregou nas costas por quase dois quilômetros. Acabou pegando uma pneumonia e ficou mais de uma semana no hospital.
Ele era alérgico a pelos de gato, mas como ela gostava, em seu aniversário de 25 anos, ele lhe deu um gato Ragdoll com heterocromia. Durante o tempo em que o gato ficou em casa, ele espirrava constantemente, sua rinite atacava. No fim, foi Luna quem não aguentou mais e levou o gato para Catarina cuidar.
Infelizmente, em menos de um ano, o gato contraiu PIF e, mesmo após mais de duas semanas de tratamento, não sobreviveu.
Gestos de dedicação como esses passavam como slides em sua mente.
Luna sempre acreditou firmemente que ele a amava muito.
Foi por causa dele que o amor, em seu coração, sempre foi algo belo e puro.
Nunca imaginou que um dia ele seria manchado, e que a situação se tornaria tão triste e ridícula.
E nunca pensou em como se sentiria ao enfrentar tudo isso um dia.

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