O rosto pálido de Yolanda parecia neve recém-caída, com duas manchas de um vermelho tênue nas bochechas, como flores de cerejeira tardias prestes a cair do galho, o que ainda lhe conferia uma aparência um tanto doentia.
Mas aqueles olhos gentis e serenos eram límpidos e ágeis, e sua aura de intelectualidade e elegância lhe acrescentava uma beleza vívida.
Ela balançou a cabeça suavemente.
— Minha saúde está bem agora. De qualquer forma, esta é a minha primeira exposição e talvez... eu não tenha outra oportunidade de fazer uma no futuro. Não quero deixar arrependimentos...
— Yolanda, você está falando essas coisas deprimentes de novo. O Dr. Assis não disse? Contanto que você repouse bem, pode viver até os cem anos.
Ao lado, Ofélia Nobre não suportava ouvi-la falar aquelas palavras de autopiedade.
Yolanda sorriu docemente ao ouvir isso.
— Está bem, está bem, não falo mais. Diretora Dias, sei que se eu participar da cerimônia de abertura, certamente trarei problemas para você e para o museu, além de fazer vocês assumirem riscos. Mas... sinto muito, ainda quero ser caprichosa desta vez...
Ofélia, vendo-a tão humilde e digna de pena, sentiu o coração doer.
— Esta exposição significa muito para você. Você é a protagonista, não é natural que participe da abertura?
Jona sentiu-se desconfortável com as palavras de Ofélia, que pareciam consolar Yolanda, mas na verdade eram uma alfinetada sarcástica na diretora.
Imediatamente, respondeu com firmeza, mas sem arrogância:
— Sra. Nobre, nossa diretora está apenas preocupada com sua saúde. O planejamento da sua participação na cerimônia já está definido há muito tempo. Se você não participasse, teríamos que alterar o planejamento de última hora. Com a abertura iminente, não iríamos querer aumentar nossa carga de trabalho sem motivo.
Ofendida por ter sido contrariada, Ofélia irritou-se:
— Quem você pensa que é? Estamos conversando, onde já se viu você...
— Irmã!
Yolanda a interrompeu a tempo.
Ela olhou com um pedido de desculpas para Jona e Luna.
— Secretária Jona, Diretora Dias, peço mil desculpas...
Luna a observava com calma, com um sorriso nos lábios e um olhar ameno, sem qualquer hostilidade ou agressividade.
As palavras de Yolanda agora há pouco continham agulhas escondidas; eram macias, mas usavam a lâmina afiada de Ofélia para atingir o alvo.
Apontava e atirava.
— Sra. Nobre, eu prefiro as coisas simples.
A voz de Luna era pausada, parecendo desconexa, mas continha um significado profundo.
Yolanda não demonstrou se havia entendido ou não, apenas sorriu.
— Sim, eu também. Então vamos simplificar o fluxo. Desculpe pelo trabalho, Diretora Dias e Secretária Jona. Quando a exposição terminar, farei questão de convidar todos os funcionários do museu para um jantar.
— A Sra. Nobre é muito gentil — Luna respondeu com um tom neutro, mas sorrindo com os olhos. — Já que está tudo combinado, a Sra. Nobre deve descansar bem. Vamos indo. Nos vemos no dia 1º no museu.
— Certo, vá com cuidado, Diretora Dias — Yolanda assentiu levemente.
Ao se virar para sair, Luna inadvertidamente notou alguns pequenos objetos de artesanato DIY e dois controles de videogame pretos sobre a mesa de centro.
Ela não olhou muito, desviou o olhar e saiu.
Após dar algumas instruções a Jona, ela pegou o elevador para o 17º andar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....