Ao deixar a residência da Família Fonseca, Luna não levou nada além do conjunto estilo Chanel que vestira no dia anterior e das roupas que havia pegado emprestado com Teresa. Quanto às diversas peças que a matriarca mandara entregar na noite passada, ela optou por deixá-las para trás.
Por outro lado, as oito caixas de presentes preparadas pela senhora continham lenços de seda e bolsas de grifes de luxo, além de um bracelete de jade e um colar de ágata.
Bastava um olhar para perceber que os preços eram exorbitantes.
Os itens restantes eram suplementos de saúde raros e preciosos, muito provavelmente destinados a Júlio Dias, que ainda estava internado em recuperação.
Aqueles presentes eram, sem dúvida, impecáveis em todos os aspectos.
Mas será que o padrão não estava um tanto elevado demais?
Luna sentiu que aqueles presentes queimavam em suas mãos.
Ao abrir os dois envelopes vermelhos de seda, encontrou em cada um a quantia exata de dez mil e um reais.
Dez mil e um. Uma em um milhão.
Era a maneira da família do noivo expressar que estavam extremamente satisfeitos com ela, considerando-a única.
Quanto ao envelope dado por Inês, o valor era um número cabalístico — 8.888.
Não havia nada de extraordinário nisso, apenas uma tentativa de demonstrar sinceridade que, no fundo, deixava transparecer um certo ar de descaso e formalidade vazia.
Se era apenas para manter as aparências ou não, Luna não se importava.
Quando retornou à Cidade Leste, já era meio-dia.
Ela almoçou fora com Lucas e, à tarde, dirigiu até o museu de arte para convocar uma rápida reunião com todos os funcionários.
Relatou que alguém fora visto rondando as imediações do museu na noite anterior e pediu que todos ficassem em alerta.
Desde a exposição de Fernanda Souza, o Museu de Arte da Vida vinha ganhando um destaque sem precedentes na Cidade Manba. E, como diz o ditado, árvores altas atraem ventos fortes.
Além de Catarina, que a vigiava como uma ratazana de esgoto à espreita, certamente havia outros que olhavam com inveja e cobiça para o sucesso do museu.
Ao ouvirem isso, o clima entre a equipe ficou visivelmente mais tenso.
Após o aviso, Luna não perdeu tempo e encerrou a reunião.
Pouco depois das três da tarde, Lucas enviou uma mensagem no WhatsApp informando que a pessoa que ele contratara na noite anterior já havia enviado as imagens das câmeras de segurança próximas ao museu. Ele perguntou se ela estava ocupada ou se preferia ver aquilo à noite, quando voltassem para casa.
Analisar as gravações de sete dias inteiros não era uma tarefa pequena. Assistir a tudo sozinha, além de cansar a vista, seria um processo lento.
Pedir ajuda a terceiros seria arriscado, pois quem não conhecia Catarina poderia deixar passar algum detalhe ou não a reconhecer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....