No dia do enterro de Soraia, chovia torrencialmente na Cidade Norte. Luna permaneceu de pé no cemitério por mais de duas horas.
Ninguém conseguia convencê-la a sair dali.
Foram seu irmão, Gabriel Dias, e Fernanda que, segurando guarda-chuvas, ficaram ao seu lado, acompanhando-a em silêncio.
Nada foi dito. Apenas ficaram lá, observando a foto em preto e branco na lápide. Não importava o quanto a chuva lavasse a pedra, a gentileza e a elegância no rosto de Soraia estavam profundamente gravadas na mente de Luna.
No dia em que recebeu o telefonema de Júlio, ela estava fora da cidade.
O que ela estava fazendo lá mesmo?
Ela não conseguia se lembrar com clareza. A única coisa que permanecia vívida era a sensação de ser golpeada pelo conteúdo daquela ligação, uma dor tão excruciante que ela nem conseguia chorar. A sensação parecia fresca até hoje.
Talvez fosse porque doía demais.
Perder a mãe era algo que, para ela, parecia muito distante.
Ela sequer conseguiu ver a mãe uma última vez. Se tivesse que rastrear o último encontro, teria sido oito dias antes do acidente.
Naqueles oito dias, elas apenas se falaram por telefone, nem mesmo por vídeo.
Para Luna, restava apenas um arrependimento infinito e remorso.
Por isso, os seis meses após a morte de Soraia foram o período mais doloroso de sua vida, um tempo em que ela não conseguia aceitar o fato de que não tinha mais mãe.
Lucas acariciou o rosto dela e perguntou novamente:
— Você quer comer alguma coisa?
Luna recobrou os sentidos e assentiu levemente:
— Sim, o que tem para comer?
— Tem ingredientes na cozinha. — Lucas encostou a testa na dela e perguntou em voz baixa — Quer um macarrão?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....