— Ah, socorro! Socorro! Assassina! Estão matando alguém!
O isolamento acústico do escritório até que era bom, mas os gritos eram tão estridentes que Kaique, do lado de fora, ouviu a comoção e se assustou.
Temendo que Luna, em um momento de descontrole, fizesse algo que a prejudicasse irreversivelmente, ele nem se deu ao trabalho de bater. Empurrou a porta e entrou de supetão.
Rapidamente, correu para segurar Luna, que desferia socos e chutes em Catarina.
— Diretora! Diretora, acalme-se! Por favor! Não seja impulsiva. Acabar com a sua vida por causa de um lixo desses não vale a pena!
Luna desabou no chão, exausta. Uma fúria primitiva, com vontade de destruir tudo, rugia em seu peito, mas, no fim, toda aquela violência emocional colapsou em um vazio impotente.
Com os olhos vermelhos, ela encarou sombriamente Catarina, cujo rosto já estava inchado pelos tapas.
É verdade, não valia a pena.
Até quem via de fora entendia isso.
Ela havia superestimado sua frieza diante da assassina de sua mãe e subestimado o próprio descontrole emocional.
Achou que já estava preparada psicologicamente, que conseguiria manter a calma para buscar as respostas que precisava.
Mas falhou.
Naquele momento, seu desejo real era abandonar qualquer cautela, seguir apenas seus instintos e descontar todo o ódio e a raiva em cima de Catarina até não sobrar nada.
Mas ela não podia.
Essa era a parte mais impotente e dolorosa.
Ela sequer tinha provas concretas de que Catarina havia matado sua mãe, Soraia. Não conseguia nem mesmo o básico: levá-la à justiça pelos meios legais.
Restava apenas usar meios extremos. Só esse caminho alternativo poderia trazer algum equilíbrio momentâneo ao ódio que corroía seu coração.
— Arrume um carro para mim. Vou para a Cidade Norte.
Passou-se um longo tempo de silêncio no escritório antes que a voz dela soasse novamente.
No entanto, ela falou tão baixo que Kaique não entendeu e perguntou novamente:
— O quê? Diretora, para onde a senhora vai?
Luna fechou os olhos, respirou fundo e, com dificuldade, levantou-se do chão. Apontou para Catarina e repetiu:
— Me consiga um carro. Vou para a Cidade Norte, e vou levá-la comigo.
— Ah, certo, vou providenciar agora mesmo.
Kaique estava prestes a se virar, mas parou, lembrando-se de algo, e voltou-se para ela:
— Diretora, deixe que eu dirija para a senhora. Ir sozinha, ainda mais levando ela, não é seguro.
Ele não perguntou o que Luna pretendia fazer na Cidade Norte; apenas sentiu que o estado emocional dela não era compatível com a direção.
Tinha receio real de que as duas acabassem sofrendo um acidente fatal na estrada.
Por isso, ofereceu-se de forma sutil.
Luna ponderou por um instante e achou que ele tinha razão. Naquelas condições, dirigir não era a melhor ideia.
Ela assentiu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Segredo por Trás da Traição
Porque não abre os capítulos? Que chato,não quer liberar? normal, é só não disponibilizar, mas já que disponibilizou libera os capítulos....