— Quem causou o acidente?
A voz de Daniel era gélida enquanto ele colocava os documentos de lado e olhava para Bruno com uma aura opressiva.
Bruno balançou a cabeça negativamente.
— Há poucas câmeras no local e a imagem do painel não capturou o rosto do suspeito com clareza. A polícia ainda busca pistas sobre quem causou o acidente da Sra. Alana.
O agressor deveria ser alguém mentalmente instável para causar tal terror no meio da noite. Restava a dúvida: haveria algum rancor pessoal contra Alana?
Após alguns segundos de silêncio, Daniel ordenou:
— Comecem a investigar os familiares do falecido no caso do Edgar. Se não encontrarem nada, procurem a Alana para verificar se ela notou algo estranho.
O julgamento de Edgar estava prestes a ocorrer e a derrota era esperada. Daniel sentiu uma pontada de nostalgia pelos dias pacíficos do passado; ele não queria lidar com uma "mulher reclamona" todos os dias caso Alana decidisse fazer birra por causa do acidente e do irmão.
— Notifique o Dr. Aurelio de que, se os vizinhos da Mariela aceitarem um acordo, maximize a compensação e resolva a questão do cachorro o quanto antes — concluiu ele, sem paciência para perder mais tempo com futilidades.
......
Alana não via Edgar desde que ele fora detido. Em apenas alguns dias, o rapaz parecia ter envelhecido dez anos. O jovem, antes alegre e otimista, tornara-se deprimido e retraído. Com o cabelo raspado, o rosto pálido e a barba por fazer, ele desabou em lágrimas ao ver a irmã.
— Mana, eu não queria... ela realmente se jogou na frente do carro... — soluçou ele.
Alana inclinou-se sobre a grade para confortá-lo:
— Eu sei, Edgar. Não se preocupe, encontraremos as provas e vamos tirar você daí!
Antes que ele pudesse dizer mais nada, os guardas o conduziram ao banco dos réus. Alana sentou-se na plateia, lançando olhares esperançosos para o Dr. Hugo. No vasto tribunal, os lamentos e o choro teatral da mãe do falecido preenchiam o ambiente. Os olhares dos presentes tornaram-se penetrantes como lâminas sobre Alana.
Seus pais, Eliote e Areta, sentaram-se em uma posição reservada, temendo ataques impulsivos dos familiares da vítima. Assim, todos os insultos e olhares de ódio foram direcionados apenas a Alana, que suportou tudo calada para estar perto do irmão.
O julgamento começou. O Dr. Hugo e o advogado da acusação entraram em conflito. No entanto, à medida que o Dr. Hugo apresentava suas provas — que ainda não eram robustas o suficiente para provar a simulação do acidente —, ele foi perdendo terreno.
Uma hora depois, o martelo bateu: Edgar foi condenado à prisão e a família Bratz foi obrigada a pagar R$1.000.000.00 em indenização. Alana assistiu, impotente, enquanto o irmão era levado por policiais, chorando como uma criança indefesa. No instante da sentença, a tristeza nos rostos da "vítima" desapareceu, dando lugar a sorrisos quase imperceptíveis de satisfação financeira.
— Sra. Alana, vamos conversar lá fora — pediu o Dr. Hugo, limpando o suor da testa. — Sinto muito, fiz o meu melhor. Mas, pela reação daquela família, tenho certeza de que estão escondendo algo.
— Por onde começamos a investigação agora? — perguntou Alana ansiosamente. — E quando posso visitar o Edgar?

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