Alana sentia que, ultimamente, o destino a forçava a cruzar caminhos com Daniel e Mariela com uma frequência cruel. Cada vez que os via juntos, uma tristeza profunda a abatia. No entanto, ela forçou um sorriso para Suzi e balançou a cabeça:
— Eu não fui quem traiu, então por que eu deveria ir embora da cidade?
Talvez, ao ver o próprio coração morrer um pouco mais a cada encontro, o esquecimento finalmente chegasse mais cedo.
— Você diz isso, mas tenho medo de que sofra demais — desabafou Suzi, sentando-se ao lado dela e encostando a cabeça na sua em um gesto de apoio.
Alana sentiu um calor no peito e segurou a mão da amiga.
— Não importa o quão triste eu esteja, eu vou superar.
— Então ficarei ao seu lado. Mas não seja grata demais e, por favor, não se apaixone por mim; eu gosto de homens — brincou Suzi, tentando quebrar a atmosfera sufocante. Alana soltou uma risadinha, sentindo o humor sombrio diminuir um pouco.
No entanto, a inquietação permanecia. A repercussão negativa online sobre o caso de seu irmão, Edgar, estava crescendo como uma bola de neve. Naquela noite, Alana ficou no hospital. Daniel não fez uma única ligação, nem enviou uma mensagem sequer. Ela já estava acostumada ao silêncio dele, mas seu coração ainda doía por hábito.
Na manhã seguinte, o toque urgente do telefone quebrou o silêncio da enfermaria. Era o Dr. Hugo.
— Sra. Alana, o caso do seu irmão irá oficialmente a julgamento amanhã.
O coração de Alana disparou.
— Como pode ser tão rápido? O senhor já reuniu todas as provas?
O Dr. Hugo suspirou:
— A pressão online ficou insustentável e o tribunal antecipou a audiência. Não temos todas as provas, então teremos que correr o risco. Mas não se desespere; mesmo se perdermos agora, podemos recorrer.
— Por favor, Dr. Hugo, eu confio no senhor! — Alana, que não entendia de leis, depositou toda a sua esperança nele.
Ao desligar, ela se encolheu na cama, angustiada. Um processo de apelação levaria tempo, e isso significava que Edgar teria que ir para a prisão nesse intervalo. Ela não conseguia imaginar seu irmão, sempre tão alegre e otimista, vivendo em uma cela escura. E o pior: ele era inocente!
Naquela noite, ela avisou o pai sobre a audiência. Ele não respondeu.
Na manhã seguinte, acompanhada por Suzi, Alana foi ao tribunal. Ao descer do carro, viu seus pais, Eliote e Areta, cercando o Dr. Aurelio.
— Dr. Aurelio, qual o grau de confiança que o senhor tem no caso do meu filho? — perguntava o pai, ansioso.
— Meu filho é inocente! O Daniel te explicou, não é? Ele é meu único filho, eu não posso viver sem ele! — Areta chorava, olhando para o Dr. Aurelio como se ele fosse um salvador.
O Dr. Aurelio ficou atônito por um momento antes de explicar:
— Sr. e Sra. Bratz, vocês entenderam errado. Eu não sou o advogado responsável pelo caso.
A expressão de Eliote congelou.
— Impossível! Eu disse à Alana que queria o senhor no caso!
— Na verdade, o responsável é o Dr. Hugo, o nosso melhor especialista em fraudes de trânsito... — Antes que o Dr. Aurelio terminasse, Areta viu Alana se aproximar.
— Alana! Você não contratou o Dr. Aurelio? — questionou a mãe, com o rosto banhado em lágrimas. O pai lançou-lhe um olhar inquisidor e furioso. O Dr. Aurelio apenas deu de ombros para Alana, passando-lhe a difícil tarefa de se explicar.

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