O clima leve que Alana sentira na montanha evaporou-se no instante em que o Dr. Hugo mencionou o nome de seu marido. Era como um balde de água fria.
— Por favor, apenas me avise quando a visita for aprovada pelos meios legais — respondeu ela, com a voz murcha.
Ela estava determinada a não pedir nada a Daniel. Para reforçar essa decisão, desinstalou os aplicativos de notícias; não queria mais ser bombardeada por imagens dele com Mariela. No entanto, as palavras do advogado serviram para lembrá-la de uma pendência crucial: o acordo de divórcio que Daniel jogara no lixo.
Ele só vai acreditar que eu falo sério quando o documento chegar oficialmente na empresa, pensou.
Alana preparou uma nova via do acordo e, para evitar um confronto direto, contratou um serviço de entregas para levá-lo à sede do Grupo Scroop. Com a mente focada no futuro, ela passou o domingo estudando. Amanhã seria seu primeiro dia na Totws, e ela precisava estar afiada. Embora tivesse passado dois anos afastada do mercado, sua sensibilidade para o design de interiores voltava com rapidez.
Na segunda-feira, às 8h em ponto, Alana apresentou-se para o trabalho. A recepção a conduziu ao departamento de design.
— Sra. Alana, esta é a sua estação de trabalho. Você será assistente da Designer Amanda.
Alana olhou para a mesa ao lado. Havia uma foto de uma mulher de cabelos curtos, com um olhar afiado e competente. Era Amanda Na, uma profissional premiada e de temperamento difícil. Alana esperou pacientemente, mas logo percebeu que sua chegada não seria celebrada.
De repente, uma movimentação tensa tomou o corredor. Amanda entrou no escritório com o rosto fechado e ignorou o cumprimento de Alana, indo direto para a sala do diretor.
— Quantas vezes eu já disse: não me tragam "rostinhos bonitos"! — a voz de Amanda ecoava pelas paredes. — Eu não a quero na minha equipe! Estão tentando me forçar a pedir demissão? Sabem que o departamento entra em colapso sem mim!
Alana sentiu o rosto empalidecer, mas manteve a postura. Os colegas ao redor lançavam olhares de pena misturados com uma satisfação maliciosa. Após alguns minutos de discussão abafada, Amanda saiu da sala do diretor ainda bufando. Ela jogou a pasta na mesa e apontou para um canto isolado:
— Sente-se ali.
Alana não se abalou. Preferia alguém difícil como Amanda, que deixava claro o que pensava, do que o silêncio enigmático e sufocante de Daniel. Sua mesa ficava ao lado de uma garota chamada Irina, que lhe deu um sorriso cúmplice.
— Ela não gosta de você — sussurrou Irina enquanto Alana organizava suas coisas. — Se você for lá agora perguntar o que fazer, só vai ser maltratada.
O que Alana não sabia era que o perigo era maior do que o mau humor de uma chefe. Amanda, furiosa por ter sido obrigada pelo Presidente Eduardo a aceitar uma "indicada", tirou uma foto de Alana conversando com Irina e enviou para uma amiga próxima: Mariela.

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