Alana caminhou depressa. Rápido demais.
Quando Daniel saiu, só conseguiu ver as costas dela desaparecendo na esquina da rua.
Ele soltou a mão de Mariela sem cerimônia e disse, com a voz baixa e controlada:
— Continue com as medições. Não se preocupe comigo.
E sem mais nada, virou-se e foi embora na direção oposta.
Mariela ficou parada no meio do corredor, observando os dois seguirem caminhos diferentes — ela para a esquerda, ele para a direita — e um sorriso discreto, quase imperceptível, curvou seus lábios.
Amanda havia subido para dar início ao trabalho de medição. Ela não fazia ideia do que tinha acontecido no andar de baixo.
Quando Alana voltou, Amanda percebeu na hora que algo estava errado.
— Você está chorando? Aconteceu alguma coisa em casa?
— Estou bem — Alana respondeu com calma, sem negar nem confirmar. — Vamos terminar o trabalho primeiro; a gente resolve depois.
Ela sabia que seus olhos estavam levemente inchados. Não precisava de espelho para confirmar isso. Mas não era hora de fraqueza.
Amanda, apesar do histórico de rusgas entre elas, era no fundo uma pessoa decente.
— Se você precisar sair, eu consigo cuidar disso sozinha mesmo.
— Vamos fazer juntas. — Alana pegou o papel e a caneta da mão dela com firmeza. — É mais rápido assim.
Ela não ia deixar o trabalho de lado. Era justamente pela dedicação que Amanda precisaria, um dia, reconhecê-la de verdade. Só assim ela conseguiria provar que merecia estar ali.
Elas aceleraram o ritmo e, uma hora depois, todas as medições estavam concluídas.
— A senhorita Mariela e os outros estão no jardim — informou uma das funcionárias.
Amanda não encontrou nem Mariela nem Daniel pelo caminho. Mandou uma mensagem rápida para Mariela e sugeriu:
— Vamos avisá-los antes de sair.
— Vai você — disse Alana, parando perto do carro. — Eu espero aqui na porta.
Não tinha estômago para encarar aquilo de novo.
— Tudo bem. — Amanda acenou levemente e foi sozinha para o jardim.
No jardim dos fundos havia um lago com peixes ornamentais. Daniel estava parado à beira da água, de costas, jogando a ração devagar. Amanda não conseguia ver sua expressão, mas havia algo no jeito como ele estava de pé — tenso, contido — que a fez hesitar.
Ele está de péssimo humor, ela percebeu, sem conseguir explicar por quê.
Mariela estava alguns metros atrás dele, os olhos fixos nas costas de Daniel.
Amanda se aproximou dela discretamente:
— Mariela, terminamos as medições.
Mariela se virou. Olhou em volta.
— E a estilista Alana? Onde está?
— Ela tinha um assunto urgente para resolver em casa — Amanda improvisou, olhando em direção à entrada da mansão. — Já foi na frente.
Daniel ouviu.
Os olhos dele foram direto para Alana, que esperava junto ao carro, embaixo do poste de luz na frente da casa. Cabeça baixa, celular na mão, uma fração do pescoço branco e delicado à mostra acima da gola do casaco.
Os cantos dos lábios dela estavam levemente levantados.
Ela está sorrindo.
Estava mandando mensagem para alguém. E esse alguém claramente a fazia sorrir daquele jeito.
Não tem nada urgente em casa. Tem um homem esperando por ela lá.
As palavras que ela havia dito meses atrás voltaram a ecoar dentro dele, involuntariamente:
"Eu te coloco em primeiro lugar em tudo. Nunca digo não pra você porque te amo."
E agora? Agora ela se apaixonou por outra pessoa sem nem piscar.
Mas, enquanto o pensamento se formava, algo o incomodou ainda mais: a Alana de agora é completamente diferente da dos últimos dois anos. Antes ela gravitava ao redor dele como se não existisse mais ninguém. Agora... ele mal existia no campo de visão dela.
Ele queria que ela voltasse a ser obediente. Submissa. Exatamente como antes.
Mariela acompanhou Amanda até a saída e os dois carros sumiram pelo portão.
Daniel ficou olhando para a rua vazia por um segundo. Então largou o restante da ração de peixe, virou para a funcionária mais próxima e disse de forma seca:
— Tenho coisa para resolver.
Pegou as chaves do carro e saiu às pressas.
No caminho de volta, Alana ficou quase em silêncio o tempo todo. Amanda, de forma incomum, estava falante.
— A casa é bem singular no design, não acha? Aquela integração entre o interior e o jardim...

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