Alana estava disposta a baixar a cabeça. A confirmação veio em um aceno sutil, mas o efeito em Daniel foi o oposto do esperado. Em vez de satisfação, a expressão dele escureceu, tornando-se tão sombria que parecia prestes a transbordar fúria.
Ela está mesmo disposta a suportar essa humilhação só para conseguir o divórcio?, ele se questionou, sentindo um gosto amargo.
Seus olhos escuros se estreitaram e ele começou a acariciar o mostrador do relógio de pulso com a ponta dos dedos, um gesto habitual de quando estava calculando seus próximos passos. Após um momento de hesitação, ele disparou com voz calma, mas firme:
— Além disso, antes de trazê-la de volta e selarmos o divórcio, você deve cumprir o seu papel...
Ele fez uma pausa deliberada antes de completar:
— Seus deveres como esposa.
A garganta de Alana se fechou em um nó apertado. Hoje era sábado. Isso significava apenas uma coisa: ela teria que acompanhá-lo até a mansão da família Craig.
O casamento ainda não havia sido oficialmente desfeito perante o clã, e os patriarcas já haviam sido avisados da visita. Alana sabia que, uma vez lá dentro, conseguir o divórcio seria uma batalha ainda mais árdua. Embora a família de Daniel a tivesse tratado com imenso carinho nos últimos dois anos, ela conhecia as regras de uma linhagem prestigiosa: a infidelidade de um herdeiro muitas vezes era varrida para debaixo do tapete em nome da "unidade familiar".
E se eles tentarem me convencer a perdoá-lo?, ela pensou, sentindo a paciência se esvair. Cada segundo ao lado de Daniel era uma tortura, uma oscilação cruel entre a memória do que sentiam e a dor da traição presente.
Daniel, observando o conflito interno dela, rebateu na borda da mesa com seus dedos bem definidos.
— Não vou te forçar. Se não concordar, pegue seus papéis de divórcio agora e vá embora.
— Eu prometo — Alana interrompeu, a voz trêmula mas decidida. — Mas você também precisa me prometer: assim que eu cumprir minha parte, você assina os papéis.
A ânsia dela em partir despertou um anseio estranho e incômodo no coração de Daniel. Ele sentia falta de quando aqueles olhos brilhavam para ele, em vez de buscarem a saída mais próxima.
— Se você insiste tanto... não tenho motivos para discordar — ele murmurou, com uma expressão ambígua.
......
Alana chegou à casa da família Craig às dez horas da manhã, trazendo os lanches favoritos da matriarca, como sempre fazia. Assim que entrou, a Vovó Ofélia saiu ao seu encontro com um sorriso radiante.
— Alana, querida! Você parece bem melhor agora, não é?
Alana parou enquanto trocava os sapatos, percebendo que Daniel devia ter usado uma suposta "indisposição" dela como desculpa para a ausência na semana anterior.
— Vovó, estou bem agora. Desculpe por ter preocupado a senhora — respondeu, apertando a mão da idosa.
— Que bom, minha filha! Senti tanta saudade. Venha, faça companhia para esta velha e vamos conversar.
Como de costume, Alana passou a tarde inteira com a Vovó . Sendo que os sogros estavam viajando a negócios, o ambiente estava calmo. Daniel só retornou para o jantar.
À mesa, a Vovó não parava de servir Alana.
— Você parece mais magra do que eu imaginava — comentou a idosa, preocupada.
Daniel recostou-se na cadeira, permitindo que seu olhar vagasse pela mulher ao seu lado. O leve perfume floral dela o atingiu. A cintura de Alana, que ele sabia poder envolver com uma só mão, parecia ainda mais fina, embora suas curvas ainda mantivessem uma suavidade tentadora.
— Vovó, eu não emagreci — mentiu Alana, tentando evitar preocupações. — É apenas o corte das roupas de inverno.
— Meus olhos são minha régua — brincou a senhora, antes de se virar para o neto. — Diga você, Daniel. Ela emagreceu ou não?

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