Alana estava preocupada com seu irmão. Cada dia a mais que Edgar passava na prisão era uma tortura para ela.
Ela não queria ter muito contato com a família Manzo.
Se Everaldo realmente fosse preso, o casal de idosos certamente não deixaria barato.
Enrolados e sem saber o que fazer, decidiram simplesmente negociar entre si.
Mas a família Manzo era mais difícil de lidar do que ela imaginava.
— Perdemos um membro da nossa família, mas você não está morta. É só uma cicatrizinha. A gente não pode simplesmente engolir isso!
A mãe de Emerson, largando toda aquela postura de coitada de antes, bateu com a mão na mesa com um ar de quem tinha razão no mundo.
A pancada na mesa chamou a atenção de todo mundo ao redor.
O garçom se aproximou rapidamente e lembrou com delicadeza:
— Com licença, por favor, não perturbem os outros clientes.
— Desculpe. — Alana sorriu em tom de desculpas e, assim que o garçom saiu, virou o olhar pra mãe do :
— Se alguém realmente tivesse morrido, a família de vocês estaria em saia justa.
Ela baixou a voz, tentando manter a calma:
— Ela era muito jovem, e eu lamento por ela. Mas a culpa não é do meu irmão, então não vou me dobrar por isso. Espero que vocês entendam o recado.
A postura de Alana foi muito mais firme do que o casal Manzo esperava.
Os dois trocaram olhares. A mãe passou os olhos pela cafeteria e disse:
— Se vocês querem o irmão de volta, nos deem dois milhões!
— No máximo cem mil. — Alana já tinha pensado nisso desde o começo.
Independentemente dos motivos da falecida ou da insistência da família Manzo.
Ela queria oferecer alguma compensação pelo bem da criança pequena que ficou.
Edgar era um cara de bom coração — dar alguma compensação à família Manzo faria ele se sentir melhor.
Os olhos da mãe do Everaldo quase saíram da cabeça.
— Cem mil? Tá me tratando como mendiga? Uma vida humana vale só cem mil? Devia ter deixado meu filho te matar de susto, aí estaríamos quites!
— Para com esse papo! — repreendeu o pai de emerson, seco.
A mãe parou na hora, mas o espírito dela continuou aceso — e lágrimas começaram a escorrer pelo rosto.
Alana não tinha nada a dizer pra uma pessoa tão fora da realidade.
Ela virou o olhar pro Sr. Manzo:
— O senhor, o que acha?
— São cem mil, então. Quando você vai pagar? — Mal o Sr. Manzo terminou de falar, a Sra. Manzo o empurrou com força.
Ele lançou um olhar de desaprovação pra esposa, e ela finalmente se acalmou — mas as lágrimas continuaram escorrendo.
O coração de Alana acelerou:
— Pago quando Edgar sair.
Ao ouvir isso, o Sr. Manzo se levantou, agarrou a Sra. Manzo e saiu dizendo:
— Vamos procurar um advogado agora mesmo...
A família Manzo estava claramente extorquindo e simulando um acidente — alguém teria que responder por isso.
Mas mesmo que o casal de idosos fosse parar na cadeia, eles ainda protegeriam o filho.
Alana não se importou com o caminho que eles escolhessem tomar.
Naquela tarde, a família Manzo se entregou e admitiu ter forjado o acidente — e isso virou notícia.
A falecida tinha uma doença terminal e a família não tinha dinheiro pro tratamento.
O sogro tinha sugerido que ela simulasse um atropelamento pra cometer suicídio, extorquisse dinheiro de terceiros e deixasse uma reserva pra família e pros filhos.
Além disso, eles tinham contratado um seguro contra acidentes em nome dela dois meses antes.
O advogado disse que ainda faltava uma prova — o contrato do seguro.
Com as evidências na mão, Edgar foi libertado às 17h daquele mesmo dia.
Alana não ficou remoendo quem, dentro da família Manzo, teve a ideia de usar a falecida daquele jeito.
Ela só se importava com Edgar — e foi buscá-lo o quanto antes.
Quase um mês tinha se passado desde o incidente, e Edgar estava visivelmente mais magro.
O cabelo curto e a barba por fazer fizeram com que o rapaz, antes tão cheio de vida, parecesse dez anos mais velho de uma hora pra outra.
Antes mesmo que ela tivesse tempo de chorar, Henrique chorou primeiro.
Ele abraçou Alana com força:
— Mana, eu realmente não queria que isso acontecesse. Ela... ela está morta!
— Ela tinha uma doença terminal. Mesmo que não fosse você, ela teria encontrado outro carro pra se jogar na frente. Não foi culpa sua...
Alana deu tapinhas suaves nas costas dele:
— Tá tudo bem. A gente saiu. Acabou.
— Edgar!

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